Berlim é uma cidadezona, tudo bonito, tudo funciona e esbanja design e arquitetura. Reconstruida no pós guerra, fez questão de não deixar marcas.
Descemos em uma estação monumental, vários andares, vários trens, saem por túneis ara o ar, para o rio, para embaixo do rio. O hotel moderno e eletrônico, com exageros de informações.
Pegamos o ônibus de turismo, o famoso ônibus sobe e desce. Depois de três horas rodando pela cidade, vendo marcas do que não existe mais. O muro virou história, é todo pichado e tem até uma escultura do Romero Brito olhando para o muro.
O tempo não se decide entre neve e chuva, mas gostoso de caminhar.
Depois do almoço com muito chucrute, fomos procurar uma exposição de Käthe Kollwitz (1867-1945). Eu não conhecia a famosa desenhista, pintora, gravurista e escultora alemã, mas acreditei no meu companheiro e crítico de arte.
Uma casa de três andares, resolvemos começar pelo terceiro. Na primeira sala eu já sento e fico espantado. São expressões de sofrimento, mãos que tentam tampar a visão ou calar a boca. Mães com filhos arrancados... sei lá. Sentei e perguntei “- Essa mulher perdeu um filho” nessa veio a explicação. Sim ela perdeu um filho na guerra, viveu as duas guerras e se tornou o símbolo do sofrimento das mulheres diante da guerra. A obra reflete uma eloqüente visão das condições humanas na primeira metade do século XX. Com traços de Naturalismo e Expressionismo, Kollwitz traz a classe operária, fome, guerra e pobreza como temas recorrentes em seu trabalho.
Hoje as imagens são por conta dela: http://www.a-r-t.com/kollwitz/images/
Casou-se com o médico Karl Kollwitz, com quem teve dois filhos, e foi morar na periferia de Berlim. Kollwitz era uma mulher com fortes convicções sociais e seus trabalhos tinham uma grande simpatia pelos pobres e oprimidos.
Em 1904, realizou estudos de escultura na Academia Julian, em Paris. Em 1929, ela foi a primeira mulher a se tornar membro da Academia de Belas Artes da Prússia, quando foi convidada a fazer o memorial de guerra em Dixmuiden, Flandres, acabado em 1932.
Perseguida pelos nazistas, em 1933 devido a seu interesse pelo socialismo, foi expulsa e seu trabalho tornou-se mal visto, sendo proibida de expor.
Passou então a enfrentar dificuldades e a pertencer aos grupos marginais, que tão bem representou em suas obras. Käthe Kollwitz morreu pouco antes da capitulação alemã em 1945.
Ela se concentrava nos temas trágicos da vida. Muitas de suas obras demonstravam um protesto com relação às condições de trabalho. Vários de seus melhores trabalhos tinham como tema as mães que protegem os filhos, inspirados na perda de seu segundo filho, durante a I Guerra Mundial, e alguns tinham intenções pacíficas.
Claro que nos encanamos com sua capacidade. Em uma sala só tem seus auto retratos, vão demostrando o envelhecimento, o endurecimento e o sofrimento desesperado em um rosto.
Depois disso só muita cerveja,
O idiota aqui topou atravessar a cidade, nesse metro enorme mas sem nenhuma funcionalidade para quem visita a cidade. Fomos até uma loja de ferramentas.
Imaginem, na terra das ferramentas ir a uma ulta-mega-power-poderosa-monstruosa loja de ferramentas. Não é como aquelas lojinhas de material de construção que vemos na marginal. É um mundo. Largar lá dentro um louco por ferramentas é um exercício de amor e paciencia.
Enquanto isso, a chuva que estava forte resolveu se transformar em neve. Meu Deus, cada floco parecia um coco de passarinho. Não dava para caminhar, pois estávamos longe do Metrô. O negócio foi alugar um taxi (perua de mudança) conseguir se comunicar com o motorista (imigrante que não entendia bem o Alemão, o Inglês ou qualquer tentativa). Chegamos. Bebemos e Dormimos.
Agora é arrumar as malas e pensar em ir para Londres. Destino final da travessia.
Ola,
ResponderExcluirQue viagem impressionante e que quantidade de emoção e informação sem falar é claro no frio. Eu já estou perdidinha com o que é da onde. saudades. bjs. Sonia