Agora já estou no trem rumo a Moscou. (Aqui se pronuncia Moshcuuu). Com essas quase trinta horas, estaremos completando nossa travessia. Somando tudo chegarão a 110 horas dentro de um vagão. Uma experiência ímpar, atravessar a transiberiana.
Yekaterinburg foi um grande presente. Uma cidade encantadora (1.500.000 habitantes). Tivemos uma guia que já morou em São Paulo, gosta muito do Brasil e gosta muito da sua cidade. Pudemos entender um pouco mais da história desse país, conhecer outras vertentes, além um jantar gostoso com seus alunos de português (estão estudando porque querem ir à copa no Brasil)
Nosso passeio começou indo até o marco de divisa dos dois continentes. Pois é, estive com um pé na Europa e o outro na Ásia. Foi como um prêmio pela travessia da Ásia. O Motorista nos deu um certificado, um chocolate e uma champanhe para comemorar o feito.
Andando pela cidade, tivemos o atrevimentode andar sobre as águas. Isso mesmo, hoje atravessei um continente, pus os pés em dois mundos, andei sobre as águas... Claro que a represa está congelada. Mas é uma sensação muito doida, acreditar que o gelo não vai romper sob tanto peso.
Nossas descobertas começaram na estrada. Durante a construção da estrada foram descobertas muitas ossadas humanas. Estima-se que Lenin matou na região mais de 5.000 pessoas.
Vale tentar estruturar um pouco da História. Claro que pesquisei um pouco ne Internet, para tentar organizar os dados mas existem amigos que são estudiosos da história e podem contribuir mais profundamente.
A Sibéria, com seu clima exigente, sempre foi pouco habitada e pouco disputada, mas as tribos viviam em seus cantos, etnias foram ocupando espaços, foram os Tártaros, os Buriatos e vieram Cossacos ocupar espaços em nome dos Czares.
No final dos Sec XII e por mais dois séculos pertenceram ao império mongol. Claro que os turcos já haviam passado por aqui, pois os mongóis já usavam estribos e arreios.
Para os moradores de Yekaterinburg, Gengis Khan foi um cara que passou por aqui e cobrou impostos. Já não o veem como um conquistador e nem atribuem nada de especial a ele. Aqui, a Mongólia já é um país distante e desinteressante.
Os Czares (a partir de Pedro I) criaram um tipo de um Império ou feudos.
No começo dos Séc. XIX começam os movimentos de libertação dos Dezembristas. (os inconfidentes daqui, que morreram enforcados 30 anos depois do nosso Tiradentes)
Durante a década de 1840, o desenvolvimento das opiniões tinha originado na Rússia duas atitudes gerais, convencionalmente chamadas de Eslavofilia e de Ocidentalismo.
Os ocidentalistas consideravam a cultura ocidental européia como superior, desejando difundi-la na Rússia; acreditavam na Ciência, no governo constitucional, nos valores liberais e eram contra a servidão.
Os eslavófilos afirmavam a singularidade do passado nacional russo, resistindo à penetração das idéias do Ocidente, dotados de fervor místico, ligados à Igreja oficial, acabaram por identificar-se com o Czarismo, fazendo a propaganda do Pan-Eslavismo que justificava uma política expansionista russa nos Bálcãs.
Até a segunda metade do Sec XIX, isso funcionou estável internamente, mas brigando muito com seus vizinhos. Entre eles a guerra contra o tal de Napoleão, o mesmo que fez com que a família real portuguesa fugisse para o Brasil.
O Czar governava amparado socialmente na nobreza rural e nos burocratas. "O Imperador de todas as Rússias é um monarca autocrata e ilimitado(Czar). O próprio Deus determina que o seu poder supremo seja obedecido, tanto por consciência como por temor." O símbolo sempre foi a águia de duas cabeças (O Czar e a Igreja)
O czar Alexandre II (1855 – 1881) começou buscar a modernização da Rússia. Em lugar do regime feudal criou-se uma classe de pequenos camponeses proprietários de terras.
No fim do século XIX, começam os investimentos na industrialista (aqui em Yekaterinburg criam uma siderúrgica e fábrica de armas). No começo do Sec. XX além do campesinato, já surge a burguesia industrial e o proletariado russo. (Nós no Brasil já éramos república e já entrávamos no ciclo do café).
Até os primeiros anos do Séc. XX, mesmo diante das transformações, ainda era controlada pelo absolutismo czarista.
Com problemas na agricultura, o empobrecimento e a carestia à população, os operários sofriam com as péssimas condições de vida e salário. Surge a insatisfação da burguesia nacional frente às ações do governo czarista. Dessa maneira, o atraso econômico foi uma das primeiras delicadas questões que contribuíram para a deflagração do processo revolucionário.
O operariado russo passou a organizar greves e revoltas contra o governo. Representados pelo Partido Operário Social-Democrata, os trabalhadores começaram a entrar em contato pelo ideário socialista proposto pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engles. Em contrapartida, o governo russo reprimiu tais instituições político-partidárias por meio de um destacamento policial criado para conter esse tipo de agitação social.
Em meio a tantos problemas, o conflito da Rússia contra o Japão (1904-1905) piorou a imagem do governo frente à sociedade russa. Em janeiro de 1905, um grupo de populares realizou uma manifestação em frente ao palácio de São Petersburgo. As tropas imperiais abriram fogo contra os manifestantes. O episódio, que ficou conhecido como Domingo Sangrento, potencializou as pressões contra a monarquia russa.
No ano seguinte, cedendo a tantas pressões, o czar Nicolau II transformou seu governo em uma monarquia constitucional. O país teria um parlamento incentivando o surgimento de agremiações de discussão política formada por trabalhadores do campo e da cidade. Os chamados sovietes tornaram-se um espaço de discussão sobre o futuro e os problemas da Rússia.
Em 1914, a entrada da Rússia nos conflitos da Primeira Guerra Mundial ficou marcada como o último desgaste entre o poder do czar e as reivindicações da população russa. Os gastos e derrotas militares nesse conflito inviabilizaram a sustentação do absolutismo russo.
Czar Nicolau II (família Romanov), rei da Polônia e grão-duque da Finlândia. Nasceu próximo de São Petersburgo. Filho do czar Alexandre III, governou desde 1 de Novembro de 1894, até à sua abdicação em 15 de Março de 1917, quando renunciou. Nicolau II foi apelidado pelos críticos, Nicolau, o Sanguinário pelo domingo sangrento. Como Chefe de Estado, aprovou a mobilização de agosto de 1914 que marcou o primeiro passo fatal em direção à Primeira Guerra Mundial, a revolução e consequente queda da Dinastia Romanov.
Quando abdicou, em 1.917, o czar e sua família foram aprisionados, aqui em Yekaterinburg. Nicolau II, sua mulher, seu filho, suas quatro filhas, o médico da família, um servo pessoal, uma camareira, o cozinheiro e o cachorro da família foram executados no porão da casa pelos bolcheviques na madrugada de 16 para 17 de julho de 1918. (Bolchevique é uma palavra da língua russa, e significa "maioritário". Assim foram chamados os integrantes da facção do Partido Operário Social-Democrata Russo liderada por Vladimir Lenin.)
É sabido que o massacre tenha sido ordenado de Moscou por Lênin e pelo também líder bolchevique Yakov Sverdlov.
Nicolau II, sua mulher e seus filhos foram canonizados como mártires por grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa no exílio. Conhecido como São Nicolau o Portador da Paz pela Igreja é adorado e reverenciado pela comunidade daqui. No lugar onde era essa casa, agora foi aberta uma Catetral (lindíssima) de Yekaterinburg.
Tudo isso para contar que fomos até o lugar onde abriram um monastério e estão construindo uma igreja para cada membro, Pois todos foram canonizados. O monastério é muito bonito. A catedral chama a atenção
porque tem dois andares, o de cima iluminado e cheio de ouro. O andar de baixo é bonito, contém uma exposição de fotos da família, mas é escuro, para lembrar o massacre no porão.
A cidade tem essa característica, prédios históricos, prédios modernos, prédios que estão sendo reconstruídos.
Nas praças as pessoas passeiam admirando a beleza das esculturas em gelo.
Vamos completar a história:
Pouco depois de os Bolcheviques terem chegado ao poder durante a Revolução Russa de 1917, eles mudaram o seu nome para o Partido Comunista de Toda a Rússia (Bolcheviques) em 1918 e passaram a ser conhecidos apenas como Partido Comunista da União Soviética
Vladimir Ilitch Lenin (1870 - 1924) foi um revolucionário e chefe de Estado russo, responsável em grande parte pela execução da Revolução Russa de 1917, líder do Partido Comunista, e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética. Influenciou teoricamente os partidos comunistas de todo o mundo (pelo seu perfil ético), e suas contribuições resultaram na criação de uma corrente teórica denominada leninismo (Ética de Estado). Diversos pensadores e estudiosos escreveram sobre a sua importância para a história recente e o desenvolvimento da Rússia.
Em dezembro de 1922, os bolcheviques venceram a guerra civil e a União Soviética foi formada com a fusão da Russa, República Transcaucasiana, a Ucraniana e a Bielorrussa.
Depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, Josef Stalin assumiu o poder, levando a URSS através de um programa de industrialização em grande escala. Stalin estabeleceu uma economia planificada e a supressão da oposição política a ele e ao Partido Comunista.
Em junho de 1941, a Alemanha nazista e seus aliados invadiram a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão, que este último tinha assinado em 1939. Depois de quatro anos de guerra brutal, a União Soviética saiu vitoriosa como uma das duas superpotências mundiais.
A União Soviética e seus Estados satélites do Leste Europeu envolveram-se na Guerra Fria, uma prolongada luta política e ideológica global contra os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.
No final dos anos 1980, o último líder soviético Mikhail Gorbachev tentou reformar o Estado com suas políticas de perestroika e glasnost, mas a União Soviética entrou em colapso e foi formalmente dissolvida em dezembro de 1991.
Boris Yeltsin, o primeiro presidente, também começou sua carreira política aqui.
Ufa... Escrevi demais, se alguém chegou até aqui, espero ter ajudado a organizar um pouco a história.
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