terça-feira, 10 de janeiro de 2012

No trem para Krasnoyarsk

A comida é sempre à base de proteína e muita gordura. Eles comem muito não engordam, não sei qual a química.

Como sempre o dia amanhece muito tarde. Estamos começando a compreender que os ursos tem razão, dá uma vontade de hibernar... A gente dorme bem, os quartos são aquecidos, mais é difícil levantar.

A gente se acostuma a olhar pela janela e ver aquele monte de neve como se fosse uma fotografia. Quase nos esquecemos que ao sairmos o frio vai estar lá.

Outra coisa difícil é que as pessoas não sorriem. Mesmo quem trabalha em atendimento é sempre séria. Uma sensação de estar sempre lidando com os estereótipos que temos dos funcionários públicos. Dá uma vontade danada de algo parecido com qualidade de serviço, privatização ou qualquer outra coisa que traga um pouco de motivação além da obrigação.

Hoje fomos andar pela cidade, ver o centro, as igrejas. Irkustk foi fundada depois de 1600. É uma cidade mais nova do que São Paulo. Teve um incêndio em mil oitocentos e pouco que devastou quase toda a cidade (foram três noites de incêndio e as casas eram de madeira.

Fomos ao museu ferroviário, que conta a construção da Transiberiana. Ela foi construída a partir de Moscow e de Vladsvotok. As construções se encontraram aqui e era difícil, pois tinham que fazer a travessia do lago Baikal. A construção terminou em 1904, com a construção maluca que contornava a ponta do lago.

à tarde fomos outro museu interessante. Ele conta a história de alguns insurgentes da nobreza que resolveram lutar pelo fim do trabalho escravo e dos abusos econômicos. Eles foram presos e seus líderes foram enforcados. Calma, essa história é do início do Sec XIX e não do final dos Sec XVIII. Os nobres que foram condenados e não enforcados, foram mandados para a Sibéria (aqui sempre foi lugar de castigo). Aqui tinham que fazer trabalhos forçados por 9 anos. Depois eram libertados, mas não podiam voltar para a Rússia Ocidental. Onze destes condenados, tiveram a companhia de suas mulheres. Elas que também eram nobres, abriram mão de suas fortunas, heranças e filhos para acompanhar seus maridos condenados. Assim trouxeram educação e arte para a região. Esses revolucionários foram chamados de dezembristas. Porque a rebelião aconteceu em 14 de dezembro de 1914 (pelo que entendi) os condenados vieram para cá em 1920. Com o tempo podiam receber alguma ajuda dos familiares e quando velhos, conseguiram voltar para o ocidente.

Fora isso, resolvi trocar a passagem de trem. Embora o agente que planejou minha viagem havia comprado tudo em vagões de segunda classe. Acho que ele pensou que eram dois mochileiros, ou pelo menos não nos avisou para viajar sem bagagem.

Como tivemos que comprar muito equipamento para o frio, as nossas malas cresceram e ficar na cabina estava impossível. Agora estamos mais confortáveis.

Outra coisa que aprendemos, foi ir no supermercado antes de pegar um pedaço longo de viagem. Agora, por exemplo estou digitando e tomando um café quentinho.

Este trecho deve ter a duração de um pouco mais de um dia. Vamos descer durante o dia e embarcar à noite outra vez.

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