Hoje é Natal.
Um dia assim, que a gente acorda meio tonto, demora a sintonizar.
Parece que há um milagre mesmo...
Acordo cedo, consigo marcar o trem. É um trem com cabines para seis pessoas. Aqui o trem volta a ter barulhinho de trem.
Viajo eu e um casal de pessoas típicas. O rosto bastante enrugado, a boca murcha, os ombros largos, queixo saltado e mãos de quem trabalhou muito. Ela usa um lenço na cabeça, amarrado no queixo, Poderia ser a feição de uma bruxa, mas é a imagem da doçura.
Ele parece ter Alzheimer e ela toda paciência do mundo.
Eu durmo, acordo e ele continua me encarando e perguntando quem eu sou. Eu não falo nada e ela acalma. Ele se encanta e exclama sobre alguma coisa e ela ri com ele. Ele cospe no chão e ela rindo, explica.
Muitas fábricas abandonadas.
Alguns castelos quase caindo aos pedaços. Isso é resultado do que o comunismo fez com as indústrias e com as propriedades privadas?
A estrada continua muito parecida. Mas, cada vez mais, vou vendo obras de infra estrutura. Sabe aquelas coisas necessárias para um país? Construir ferrovias, e parece que as obras andam.
Até agora, o que vi é um país que saiu da guerra, saiu do comunismo e agora começa a despertar. As casas e as cidades sem manutenção, mas não tem favela.
O trem lento, as janelas sujas demais, muito abafado. Já são seis horas de viagem e as estações começam a ficar mais moderninhas.
Um grupo de jovens, com bengalas coloridas, botas longas, chapéu e gorros cheios de flores muito coloridas entra no trem. Cantam alto, e querem dinheiro. A gente não sabe o que é isso, se é uma festa, uma tradição ou uma baderna. Incrível com as imagens me lembraram a Laranja Mecânica. Jovens corados uniformizados, com bengalas, cantando e ameaçando as pessoas. Eram muitos e invadiram várias cabines. Foram embora e a senhora me fez o sinal coçando o polegar com o indicador, como se eles quisessem dinheiro.
Chegamos em Brasov quase uma hora atrasados. Já estava escuro. Os túneis escuros , sujos e mal cheirosos nos direcionavam para Taxi.
Acreditei que eram oficiais, mas as caras eram de mafiosos. Estavam em grupos no ponto. Não havia nenhum ônibus n terminal e quando mostrei o endereço, conversaram entre eles. E me disseram o preço.
Diante daquelas poucas oportunidades, eu concordei.
A cidade é linda, avenidas largas, muitas ilhas, e parece primeiro mundo. Fico revoltado em ver uma periferia miserável em um centro tão desenvolvido.
O cara foi dirigindo aloucado, falando no celular e eu só escutando que o cara do outro lado estava muito bravo.
Me levou ao endereço da minha reserva. Eu Questionei que o nome do hotel não era o mesmo. Ele muito irritado disse que a rua era aquela e o número era aquele.
Claro eu não vou comprar briga, desci, e vi que a foto da reserva coincidia com a casa.
Minha grande surpresa. A dona do local disse que a reserva não era para lá. Quis cobrar taxas extras. Eu perguntei onde era. Ela me indicou, mas era uma rua sem saída e sem o número previsto.
Lá vou eu montanha abaixo, tentando encontrar uma solução.
Chego em uma delegacia. O policial apenas me indica o caminho até a avenida onde poderia achar um taxi.
Poia bem. Encontro um estudante que me entende, Chama um taxi. Explica o que ocorreu e ele me leva a um hotel maravilhoso. Perto do centro.
Estou bem alojado.
Amanhã vou ao castelo do Dracula.
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