quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Dachau, melhor o silencio.



Hoje, minhas histórias não tem importância.
Preciso de muitos minutos de silêncio.
Apenas algumas fotos........


PS. no dia seguinte...
Cá estou eu, sentado na rodoviária de Munique, cheguei cedo como quase mineiro que sou. Estou a caminho da Áustria, uma puta vontade de voltar a Viena, mas vou parar em Salzburg. Só espero que a noviça não esteja cantando com seus órfãozinhos pelas ruas e montanhas.
Acho que já posso contar de ontem. Sai cedo, para conhecer o castelo que inspirou o Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela. Todos dizem que é lindo. Acho que eu queria curar a frustração que tive no castelo de Munique. Até me questionei sobre estar escolhendo castelo em lugar de museu ou coisas mais sérias.
Justo nesse dia, o meu Tram, que nunca demorou mais que 10 minutos, estava com intervalos de mais de 20. Cheguei na estação e faltava apenas um minuto para o trem sair, o que seria impossível comprar bilhete e chegar na plataforma.
Fui a uma agencia de turismo que organiza pacotes de um dia. O ônibus havia saído ha 3 minutos.
Perguntei se havia outro pacote, ela disse que sim, comprei o bilhete, tomei um café e fui.
O guia, um baixinho antipático e preconceituoso. Falava um inglês, muito texano. Rápido, sem pontos e com tentativas de humor que ninguém conseguia entender. Éramos 20 pessoas. 6 americanos, 6 ingleses, 6 australianos o guia e eu.
Comecei a perceber que ele não olhava e não atendia ninguém a não ser os americanos, ficava mostrando suas lembranças e tentando mostrar intimidade. Eu já não entendia nada, já não queria entender, via os australianos franzindo a testa com ponto de interrogação entre si.
O Interessante é que fizemos a excursão usando metro e ônibus urbano. Quando chegou lá e ví que tinha áudio guia, me despedi do grupo e preferi seguir sozinho.
 Como vocês podem ver, fui escolhido pelos desencontros.
De repente estou andando em Dachau. O lugar comemorativo do antigo campo de concentração. O primeiro campo, criado em 1933 e que deu origem a toda a rede que se estendeu por toda a Europa para a inumanidades que conhecemos.
Dachau serviu de dentro de treinamento para a SS, por isso ficou conhecido como “Academia do Terror”.
Essa frase “Arbeit Macht frei” pode ser traduzida como “o Trabalho liberta”. Só que não, eram expostos aos trabalhos forçados de fabricação de armamentos, além de tudo o mais.
O museu, com painéis e alguns objetos está no antigo prédio da intendência. Como sempre, o silencio vai tomando conta e os pés já não levantam do chão. As pessoas se arrastam e não falam. A gente fica tonto, se desequilibra de tão atordoado com nossa incompreensão e incapacidade de pensar.
Sentei em um banquinho, e fiquei observando e chorando seco. Revi os textos que tanto estudei esse ano.
Depois de ler “Psicologia das Massas”, "Mal estar das Civilizações", e outros mais, a nossa cabeça fica com outra leitura e compreensão. É muito duro, mas é mais lucida. Eu precisava voltar a um lugar desse para perceber essas outras dimensões.
Continuei a caminhada pelo presídio, depois por um pavilhão que foi reconstruído. O céu começou a chorar por mim, já que eu não conseguia mais. Peguei uma chuva razoável, visitei correndo o necrotério.
Teve uma coisa muito importante em tudo isso. A quantidade de alunos adolescentes e jovens que visitavam o local. A seriedade e a profundidade com que se comportavam. A fala dos professores que levavam a reflexões e consciência do processo histórico, foi admirável. Não vi ninguém brincando ou disperso ou enfadado. Isso é muito sério e precisa ser mostrado como um processo de educação, que tem levado esse povo a agir de forma tão diferente com os refugiados que aqui chegam e estão sendo integrados, sem criar guetos e castas (pelos menos eu não pude perceber nada de discriminação).

Adorei minha foto do guarda roupa. Meu reflexo no vidro se mistura com a veste desses prisioneiros. Essas roupas ainda nos vestem.

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