Eis que dou adeus à Alemanha. Gostei mais da Bavária, corrigiu a minha dessintonia com Berlim.
O ônibus tranquilo, a estrada linda e chego à Austria. Mais especificamente em Salzburgo.
Entre achar hotel, estudar um pouco a cidade e sair a caminhar, à margem do rio, enquanto observo o por do sol e a lindeza do lugar.
Decido visitar o cidadão mais ilustre. Chego na casa do Mozart. Garoto bom que só vendo. Um pouco ligado demais. Esses olhos verdes arregalados e essa hiperatividade.... Fosse nos dias de hoje á estariam dando tarja preta para o coitadinho, para ver se se assentava.
Sua casa pequena, no terceiro andar, uma estrutura confusa e poucos objetos. Pois é, começo de vida de artista é dura.
Conversei sério com esse menino, disse que se fosse nos anos 2.000, ele seria chamado de geração Y. ou de criança cristal, ou Z ou X seja lá que nome de, mas vão dizer que crianças especiais, com pressa de crescer, com ansiedade por realizar, com inconformismo em seguir normas, etc.
Tentei falar que para crescer, precisaria ir para Viena, isso ele já sabia. Expliquei que já existiam compositores que trabalhavam junto à nobreza e que eram pessoas competentes e ciumentas.
Sabe como é, esses meninos acham que vai ser fácil, Avisei que o Salieri além de competente, iria reconhecer seu talento, e por isso mesmo iria se opor a ele em vez de trabalharem juntos.
Essa geração Y não aprende desde de 1700 e alguma coisa.
Havia um concerto no palácio, No castelo lá em cima da montanha.
Consegui um convite, um último lugar, quase atras dos músicos. Sabe como é, na terra de Mozart, nada melhor do que ouvir Mozart no salão onde começou.
O jantar estava ótimo, o vinho com um furtado de frutas vermelhas. A orquestra de câmara, apresentou as primeiras músicas, com músicos muito jovens, competentes e alegres.
A surpresa gostosa foi a entrada de um violão a partir da metade do concerto. Arranjos surpreendentes, uma harmonia impensada. Solos alternados, um dueto com os contrabaixos, de arrepiar.
Com a entrada da Harpa, então as coisas arrepiavam. Mozart sorria, como ele gosta dessas invencionices.
Afinal, essa vontade de caminhar, de percorrer mais a noite, Caminhar sem medo pela margem do rio.
Duvidam?
Venham ver como esse moleque anda pelas ruas.
Essa cidade transpira harmonias, andamentos, alegros....









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