domingo, 13 de dezembro de 2015

Luxemburgo

Quase 8 horas da noite e percebo que acidade vai se esvaziando. As praças lotadas de barracas iluminadas, pistas de patinação, orquestras e esse jeito animado que se comemora o Natal por aqui. Parece que a inspiração francesa ficou mais no arquitetura e no jeitão charmoso das lojas e boulevares.
Durante o trajeto, vim observando um jeito mais simples, pequenos sítios e a agricultura quase dentro da cidade. Muitas florestas e um jeitão mais natural.

O maior susto é no primeiro contato humano, é difícil mudar a chave do som gutural do alemão para esse som sibilado dos franceses. Trocar o Danke pelo Merci, o bitte pelo se vous plaire e outras sutilezas.
Vim a pé da Estação para o hotel, avenidas largas, calçada sem buracos e o povo atencioso.
Com a fome que estava, sai logo e fui caminhando até o centro da badalação. Um estilo muito francês, um centro de compras a céu aberto com muito bom gosto e todas as lojas que se imagina nesse mundo do consumo.
Tapeei a fome em barraca até chegar próximo à hora do jantar. Muitos restaurantes tipo alemão, alguns asiáticos e japoneses. Cafés muito charmosos, docerias iluminadas e muita brasserie.
Entrei em uma brasserie e fui atendido por uma garçonete de El Salvador. Conversamos muito, para solucionar minhas dúvidas:
Primeiro – prato típico – Me sugeriu “Judd Mat Gaardebounen” ou seja pescoço de porco (ainda bem que estou escrevendo em português e não em francês) ligeiramente defumado e assado, sobre uma bandeja de feijão verde com bacon. Claro que o troglodita aqui comeu e aprovou.
Em meio às conversas, algumas informações:
Luxemburgo é Grão Ducado, com tamanho equivalente a meio Distrito Federal do Brasil.
Tem renda per capita média de US$ 82.000,00. Tem três línguas oficiais: Francês, Alemão e Luxor ou Luxemburguês.
Por ser pequeno, produz pouco, mas tem taxas impostos muito baixas para combustíveis, tabaco e bebidas, o que faz com que os vizinhos (França, Bélgica e Alemanha) gastem muito dinheiro aqui. O Governo prefere ganhar pouco de muitos.
O regime parlamentarista tirou o poder de promulgar leis há aproximadamente dois anos. O Grão Duque proibiu a eutanásia e isso foi contra o desejo da população.
A jornada é de 40 horas (maior que os vizinhos) mas estrangeiros vem trabalhar aqui por causa do salario. A cidade tem 70 mil habitantes mas tem 200 mil empregos. Grande parte dos empregos são da Administração da Comunidade Europeia. O sistema Judiciário europeu tem sede aqui, além uma parte do sistema bancário.

Depois de uma noite bem dormida, um banho com chuveiro descente, um café da manhã com calma. Responder e mails, ajustar contas, etc. São 9 horas da manhã de domingo e a paz reina absoluta em Luxemburgo, até agora não passou nenhum carro na rua. Tudo dorme e a névoa começa a ceder espaço para a luz. Vou dar baixa no Hotel e sair para caminhar.

A cidade está tão calma, é tanta harmonia, um clima gostoso 6o e pouco vento, um dia desses que a gente está tão bem que convida a alma para caminhar do seu lado. Ela empresta os olhos da verdade para fazer o balanço do ano.
Enquanto me perco por vielas, observo a beleza e encanto o quanto aprendi, nas durezas do ano, nas durezas dos finais de projetos, finais de períodos e fases.

Não foi fácil permanecer inteiro. Foram muitos convites para jogos de ego, muitas seduções para me resignar ou deprimir, muita tristeza por ver pessoas repetindo seus velhos modelos e me agredindo para não se ver. Eu aprendi muito.
De repente me vi diante de um precipício. A cidade de Luxemburgo tem um vale profundo no meio da cidade. Uma grande vontade de estar do outro lado. A cidade tem vários níveis, algumas pontes, enormes e muito altas. A cada travessia a vontade es estar do outro lado. Tudo muito bonito. Atravessei muitas pontes, desci muitos precipícios. Subi de Elevador.

Gostei de voltar a estudar e ter amigos que me ajudam com questionamentos, dúvidas e conversas e incentivo.
Os sinos da Catedral de Notre Dame tocam muito e muito alto. Interrompo a conversa comigo mesmo, e entro na igreja. Começava uma missa. O Padre principal (eram muitos) era um tenor com uma capacidade de cantar uma missa que me arrepiava. O órgão e os corais gregorianos respondiam a ponto de provocar lágrimas. Luxemburgo é a capital da diversidade. Cada um fazia a leitura em sua língua e tive outra percepção da não grande diferença entre alemão e francês.  Nos abraços de paz, eram chineses, negros, indianos, alemães, francês se abraçando muito emocionados. Terminada a missa, o órgão fez um conserto que ninguém saia da igreja e aplaudimos como se fosse em um teatro.

Fiquei sentado a pensar mais um pouco no ano.
Como esse ano foi uma benção. Valeu a pena enfrentar os precipícios.
Depois caminhei muito e me encantei com essa perspectiva diferente de cidade.
Estou feliz. Esta cidade é uma festa. Haja perna para caminhar, subir e descer e subir e descer.
Haja dinheiro para o vinho que é muito caro aqui. Sou obrigado a tomar cerveja (que também não é barata.
Agora, prestes a enfrentar um trem, para pegar outro, para viajar a noite inteira.

Ah!  Comprei um chapéu, agora já sou um Van Helsing para destruir morcegos, Dráculas e fantasmas

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