Hoje havia a possibilidade de chegar a temperatura de 1 grau positivo, isso deve ter acontecido por 1 segundo de descuido. Caminhei muito ladeando o lago, subi montanha e cheguei outra vez às muralhas. Um silêncio absurdo quebrado apenas pela queda das neves dos galhos das árvores.
É muita paz e muita imaginação para pensar 14 séculos de pessoas caminhando, vivendo, rezando e lutando por essas ruas.
A busca de equilíbrio não é só no campo espiritual, pois cada vez mais esse chão escorrega, a gente tem todo motivo do mundo para parar, mas toda força do mundo para caminhar horas a fio.
O difícil é lidar com a claridade. Dias azuis refletidos sobre a água e a neve fazem os olhos lacrimejarem (não é choro), os olhos ardem,
É impressionante a quantidade de escavações e muros desenterrados.
Hoje fui à uma oficina que me encantou. O cara faz papel, apenas com água e madeira que ele lasca com sua faca, nada de química. Deixa de molho e depois põe na prensa. O melhor é que ele tem uma coisa, que não me lembro o nome, acho que é prensa mesmo, aquela que o Gutemberg inventou para imprimir. É o segundo modelo, do século XV e ele ainda imprime gravuras e reproduz imagens.
No mais, caminhar muito com sabor de despedida. Amanhã deixo os Balcãs. Foram seis países, cada pedacinho da Antiga Jugoslávia. O que restou por aqui foi esse tamanho gigante que os Eslavos tem, não é por acaso que jogam vôlei e basquete. Restou uma dor em cada povo. Uma vontade de perdoar, uma incapacidade de entender.De fato não são da mesma tribo. Uns procuram sua identidade com os Austríacos, Outros se identificam e se sentem otomanos. Outros até penduram a bandeira da Albania. Outros contam da época em que pertenciam aos Veneziasnos. Enfim é uma busca pela identidade e pela diferença.
Nada justifica pertencer ou não à comunidade europeia, nada justifica a situação econômica diferente, Eram comunistas que tinham passaporte e podiam viajar pelo mundo, comprar suas casas e ter financiamentos públicos, mas eram comunistas e eram europeus e eram capitalistas e eram cristãos e eram muçulmanos, e eram, ou melhor são fortalezas reconstruídas e um grande centro da história da humanidade.
Não é um passeio fácil, a gente consegue entender cada lado e com isso a gente não entende nada. Só pedaços e pedaços só confirmam essa fragmentação, cada um se apega à sua verdade e assim, um monte de verdade junta vira uma ilusão de realidade.



indescritivel mesmo essa beleza
ResponderExcluir