sábado, 3 de janeiro de 2015

Ohrid - Lago Ohrid - Macedônia


















O lago é o lago mais profundo dos Balcãs, com uma profundidade máxima de 288 m (940 pés) e uma profundidade média de 155 m. Abrange uma área de 358 km², contém uma estimativa de 55,4 km³ de água. É 30,4 km de comprimento por 14,8 km de largura e 87,53 km de costa, partilhada entre a Macedónia (56,02 km) e Albânia (31,51 km). Ao observar o lago eu comentei, essa água cristalina e essas dimensões me fazem lembrar, não sei porque, me lembrei do Lago Baycal, na Rússia. Elena olhou assustada para mim e perguntou: _"Como você sabe da semelhança dos dois lagos, você estudou?". Respondi que não e ela me informou - Os cientistas não entendem mas tem se descoberto muita semelhança entre os animais que habitam os dois lagos.Deixe os cientistas pesquisarem, isso aqui é bonito demais. Deixe esse tanto de arqueólogos desenterrarem as pedras, pois temos muita sede de entender nossa história para poder lidar com o presente. 
Hoje havia a possibilidade de chegar a temperatura de 1 grau positivo, isso deve ter acontecido por 1 segundo de descuido. Caminhei muito ladeando o lago, subi montanha e cheguei outra vez às muralhas. Um silêncio absurdo quebrado apenas pela queda das neves dos galhos das árvores. 
É muita paz e muita imaginação para pensar 14 séculos de pessoas caminhando, vivendo, rezando e lutando por essas ruas. 
A busca de equilíbrio não é só no campo espiritual, pois cada vez mais esse chão escorrega, a gente tem todo motivo do mundo para parar, mas toda força do mundo para caminhar horas a fio. 
O difícil é lidar com a claridade. Dias azuis refletidos sobre a água e a neve fazem os olhos lacrimejarem (não é choro), os olhos ardem, 
É impressionante a quantidade de escavações e muros desenterrados. 
Hoje fui à uma oficina que me encantou. O cara faz papel, apenas com água e madeira que ele lasca com sua faca, nada de química. Deixa de molho e depois põe na prensa. O melhor é que ele tem uma coisa, que não me lembro o nome, acho que é prensa mesmo, aquela que o Gutemberg inventou para imprimir. É o segundo modelo, do século XV e ele ainda imprime gravuras e reproduz imagens. 
No mais, caminhar muito com sabor de despedida. Amanhã deixo os Balcãs. Foram seis países, cada pedacinho da Antiga Jugoslávia. O que restou por aqui foi esse tamanho gigante que os Eslavos tem, não é por acaso que jogam vôlei e basquete. Restou uma dor em cada povo. Uma vontade de perdoar, uma incapacidade de entender.De fato não são da mesma tribo. Uns procuram sua identidade com os Austríacos, Outros se identificam e se sentem otomanos. Outros até penduram a bandeira da Albania. Outros  contam da época em que pertenciam aos Veneziasnos. Enfim é uma busca pela identidade e pela diferença. 
Nada justifica pertencer ou não à comunidade europeia, nada justifica a situação econômica diferente, Eram comunistas que tinham passaporte e podiam viajar pelo mundo, comprar suas casas e ter financiamentos públicos, mas eram comunistas e eram europeus e eram capitalistas e eram cristãos e eram muçulmanos, e eram, ou melhor são fortalezas reconstruídas e um grande centro da história da humanidade. 
Não é um passeio fácil, a gente consegue entender cada lado e com isso a gente não entende nada. Só pedaços e pedaços só confirmam essa fragmentação, cada um se apega à sua verdade e assim, um monte de verdade junta vira uma ilusão de realidade.
Parece que a história vai ser sempre o fragmento de quem conta.


 

Um comentário: