Estou sentado ao lado de meu algoz. Ainda não são
cinco horas da tarde, mas é praticamente noite.
Esses dias curtos sempre nos confundem. Vou
contar a história mas vou evitar citar nomes, raças ou crenças.
Acordamos às seis da manhã, sem energia elétrica
e sem informação.
Ter que se vestir usando lanterna do celular,
encontrar portas e descer escadas. Sair pelas ruas de uma cidade fria, ir até o
centro, atravessar pontes e entrar em um ônibus que nos levará às terras altas
(as famosas highlands escocesas – terras do coração valente).
Parecia tudo bem. Muitos jovens, em sua maioria
casais ocupavam lugares no micro ônibus.
Quase na hora de sair entram quatro pessoas (dois
casais) com suas roupas tradicionais.
Como estávamos no final do ônibus, (aquele que
tem cinco cadeiras pequenas) o Francisco ofereceu o lugar para um casal e foi
sentar em outro lugar.
Fiquei eu sozinho perto dos quatro. Falavam em
sua língua estranha, usaram seus celulares o tempo todo, tiravam self,
consultaram mensagens e abriam mensagens de sua religiões. Usavam o celular
como espelho para retocar maquiagem, falavam alto, tentavam tirar mais selfes.
Sempre me indigno com as pessoas que não olham
pela janela e só veem o mundo no que cabe em suas telas.
Quando eu tirava uma foto, eles levantavam a
cabeça, tiravam uma foto da mesma coisa e logo voltavam para seu mundinho
quadrado.
Foi muito difícil, á minha direita uma janela mostrava uma paisagem linda e diferente, do outro o barulho, as luzes das máquinas e o som de suas pregações.
Essa falta de respeito com a cultura dos outros e
eu tentando respeitar a cultura deles. É difícil medir o respeito, mas
colocavam os seus celulares na frente da minha máquina, na minha cadeira.
Outras vezes os quatro filmavam as mesmas coisas, impedindo que os outros
vissem.
Que exercício... Como tenho tido que aprender com
as pessoas que olham o seu lado e não se importam com quem está em volta.
Em resumo, depois de algumas paradas fomos
descobrindo que dos 23 passageiros, 9 falavam português. Grande parte estava
incomodada com a coisa, mas não sabíamos como lidar.
Quando o motorista disse que haviam duas
possibilidades de passeio pela tarde, optei em dizer que eu iria no que eles
não fossem.
Surpreendentemente, o motorista que entende de
processo grupal mais do que muitos conhecidos que trabalham com isso, chamou os
dois rapazes e conversou com eles. Estabeleceu regra de convivência. Melhorou
bastante.
Um deles sentou ao meu lado e tentou me testar,
mas decidi que não ia mais ser afetado.
Foi legal. No fim o ônibus todo foi muito
divertido. Aprendi.
Quanto ao passeio, foi muito bonito. Muito tempo
no ônibus, mas a paisagem diferente, Passear pelo espaço do Coração Valente, as
terras altas e chegar no surpreendente Lago Ness.
É enorme. O Onibus andou muito tempo às margens,
navegamos mais uma hora. Enfim Pude unir duas coisas que para mim não tinham
nada a ver – As terras altas e o Lago Ness.
Mas o monstro não apareceu.
Enquanto isso, os quatro continuam olhando suas
telas, o meu vizinho me cutuca às vezes com o cotovelo, outras vezes desliga o
fio do seu celular para vazar o som. Mas o motorista coloca a música alta e
bonita.
Olhando bem, foram 12 horas de passeio, tudo
muito bonito, mas 4 horas para ir e outro tanto para voltar não justifica. O
lago é legal, mas comum.
Quero ressaltar a hospitalidade do povo escocês.
São fantásticos, amáveis, alegres e esforçados.
Os preços são bem mais baixos, mas a comida,....
falta tempero.



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