quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lalibela - Monastério Ashetem Mariam

Muita experiência, aprendizado e gratidão. Um dia inesquecível para minha vida.
Depois de ontem ter me irritado com o guia, que não conhecia a cidade e me fez fazer longas caminhadas, despertei bem. Eu havia dito que não iria fazer a caminhada prevista para ir até o alto da montanha. Já estamos a 2.630 metros de altitude, e o trajeto é para chegar até 3.150m. Eu não tenho nem preparo físico, nem idade para isso.
A resposta de Tesch (meu guia) foi a seguinte – Eu não sabia como reparar meu erro de ontem, então eu rezei a noite para que você consiga chegar lá. Como não temos carro, reservei uma mula para que possa montar quando estiver cansado.
Creio que uma força desconhecida me convenceu a tentar a subida. Logo no início uma briga entre os donos de mulas. Por fim me fizeram trocar de mula, pois a que eu estava não iria aguentar.
Minha emoção foi ficando cada vez mais à flor da pele, atravessamos por lugares e casas, a mula suportava meu peso e subia cada barranco indescritível. Meu coração palpitava entre medo, ternura, euforia e compaixão por tudo que me era possível ver.
Eu só me lembrava do livro que estou lendo. Ele fala que em viagens, podemos aceitar ajuda, pois assim ajudamos as pessoas a serem anjos. Essa reflexão ecoava em minha mente. Eu havia encontrado um anjo. Muita bondade. Ele Auaka e sua mula. Ele a comandava por voz e caminhava ao meu lado o tempo todo. Nos momentos mais graves, quase me pegava no colo para eu descer, me ofereceu o seu cajado, e pegava em minha mão para ajudar a escalar. Um caminho difícil com muito pouco oxigênio, e ele segurava forte a minha mão e repetia – No problem.
Foi difícil e encantador aceitar ajuda, quebrar minha fortaleza, confrontar uma experiência de “velhice” que precisa de ajuda para se movimentar.

Só sei que consegui. Eles celebraram, pois grande parte dos turistas pedem para voltar no meio do caminho. Outros fazem grande parte do trajeto de carro. Eu cumpri minha peregrinação, sim eu peregrinei, pois me conheci muito mais, física e emocionalmente.
O monge que estava na igreja quis me mostrar todas as relíquia que tinha.
Na volta o mesmo carinho, e atenção dos meus três acompanhantes (o guia, o dono da mula e seu ajudante) Eu comecei até a sentir vergonha e por vezes estar montando uma mula, quando todos estavam caminhando tranquilamente.
De fato eu consegui perceber os anjos, vestidos em suas vestes típicas, com sorrisos e mãos fortes, pois essas pedras deslizam muito.
Quando atravessamos a cidade, muitos jovens, crianças saindo da escola, vinham me saudar, perguntava se eu havia ido ao monastério e se eu tinha gostado. Era uma celebração.
Claro que quando chegamos eu queria muito conseguir agradecer além da gorjeta, é claro. Convidei Auaka para almoçar comigo. Ele aceitou e conseguimos nos confraternizar. Ele me contou que sua mula tem 25 anos. Aqui existem 400 donos de mula que se organizam em uma fila para que cada um tenha sua vez. Agora como o turismo é pouco, ele deve ser chamado dentro de 4 meses. Ele cobrou da agencia  US$ 10,00 pela mula e US$ 5,00 por seu trabalho. Claro que dei muito mais, mas nada paga essa aula.

Claro que depois disso estou trancado em meu quarto, exausto pelas quase 7 horas de caminhada mas, principalmente,  muito emocionado e grato pelas lições que aprendi.

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