Hoje foi dia de arrumar malas, transporte, aeroporto, voo atrasado, tranporte de novo.
Já estou deixando uma etapa. Acabo de chegar em Nairobi. Aqui a paisagem já é verde, deixando a cor de mato seco e poeira para traz.
Hoje não tem fotos. Foi descanso para a máquina também.
Amanhã viajo o dia inteiro e devo chegar de noite em Aberdare. É uma casa em cima de árvore para que possa observar o movimento noturno da floresta, acredito que não vou ter internet. Depois vou para o Lago Nakuru e para a Reserva de Massai Mara. Quem sabe um dia eu consiga postar notícias.
Assim,
se fecha mais uma viagem. Ficam aprendizados, marcas e impressões. Agora que
estou buscando aprender que nas viagens , quando nos despimos de nossas
verdades, podemos dar um chute nos preconceitos, é verdade, mas não é fácil.
Imaginar
aeroportos e hotéis sem computadores. Pessoas que se despem para tomar banho
nas lagoas ao lado da estrada. Pessoas vestidas com panos enrolados. Janelas
sempre sujas e empoeiradas. Paredes repletas de objetos, desenhos, panos,
odores e quinquilharias. Multidões que caminham a pé, com suas mulas levando
cargas enormes. Um lugar sem ônibus e sem caminhões. Olha que isso é o que dá
para descrever.
Nossas
verdades são como abelhas que ficam zunindo em nossa cabeça, tentando colocar o
nosso conhecimento e estética dentro de favos perfeitos da nossa colmeia. A
gente não consegue, ou melhor, eu tento mas não consigo imaginar o que é viver
com essas histórias e realidades. A Etiópia foi um banco de escola. O senso é
diferente, as roupas, as comidas, o transporte, as crenças. Um cristianismo
diferente do nosso, do evangélico, e até mesmo dos outros ortodoxos que já
conheci em outros países.
Cidades
com patrimônio histórico altamente significativo, mas que são encobertos pela
imagem do País. Imagem em muito verdadeira: empoeirada, pobre e carente. Um
povo atencioso e carinhoso, mas acima de tudo orgulhoso de sua terra, porem
ainda sem a menor noção de serviço.
Atualmente,
Addis Abeba é o centro da África, aqui fica o parlamento africano. Aqui teve o
primeiro presidente negro, o que inspirou a luta de Mandela. Foi o primeiro
povo negro que derrotou os britânicos. Por duas vezes derrotou a invasão
Italiana. Esse pedaço de mundo nunca foi colônia. Foi império por 3.000 anos.
Hoje
esquecida, mas com fé no futuro. Não foi fácil passar esses dias por aqui. Foi
incrível passar esses dias aqui. Posso recomendar essa experiência para quem
tem um pouco mais de loucura do que eu. Caso contrário...
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