Não foi fácil, mas valeu a pena. Embora alguns não acreditem no meu medo e na minha insegurança, vivo sempre inseguro e com imenso "cagaço" a cada nova experiência. Essa foi demais, passar oito dias sem encontrar ninguém que falasse uma palavra sequer de português (não é verdade que se encontra brasileiro em todo lugar). Mesmo meu espantol não me ajudou muito.
Foi mesmo uma loucura estar sem contato nenhum com ninguém que pudesse me entender, não poder pedir socorro a ninguém, sem nenhum guia ou algo que pudesse me acalmar o medo, foi foda. No Vietnã, haviasm receptivos falando espanhol, encontrava constantemente brasileiros com quem compartilhava refeições e impressões.
Sobrevoar a selva africana em aviões monomotores, descer no meio do nada e ainda morrer de frio (abaixo de 8 dentro de uma cabana de lona), morrer de calor (38 graus sem uma nuvem no céu, isso mesmo nunca vi uma nuvem sequer) foi demais para meu pobre coração. Andar de Balão, estar a poucos metros de feras, sem nenhuma proteção, comer comidas diferentes, muitas vezes sem saber direito o que era. Foi tudo muito bom.
Os lábios secaram e racharam, apesar de 3 litros de água por dia, quase sem sentir o suor e quase sem sentir vontade de mijar.
Por alguns minutos eu ficava perto do pânico, ou melhor em uma ansiedade e a vontade de ir embora, mas não podia fazer nada.
A maior parte do tempo, curti muito, fiz amigos em inglês, bati longos papos e, por incrível que pareça a gente conseguia se entender. Na última noite, fiquei bebendo vinho com um médico autraliano que socorreu Senna no dia do acidente, ele ficou muito emocionado em encontrar um brasileiro, tem verdadeira adoração pelo Airton. Fora ele, o Brasil não existe para ninguém, sabem pouco sobre nós e tem pouco interesse em saber coisas. Duas pessoas disseram que queriam ir para a Amazônia ver a catarata do Iguaçu. Um outro citou o Pelé. fora isso, a gente não existe.
Valeu muito a pena, provei para mim que é possível um monte de coisas. Lembrei muito do meu pai, filhos e netas. Senti falta dos amigos.
Obrigado a todos, por me incentivarem e ignorarem meus medos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário