Vou postar rápido, pois o sinal é muito ruim, depois vou colocando fotos.
Já
que estava pelo leste da África. Já que os pacotes incluem Kenya e Tanzânia. Já
que tenho poucas chances de vir para essas bandas outra vez. Já que quem viaja
com milhagem, adequa seus passeios às disponibilidades da companhia aérea.
Juntando todos os “já que”, estou eu aqui na Tanzânia.
Foi
um dia duro de estrada. Duro por ser longo, as estradas foram boas e os
motoristas também. Saímos cedo de Nairobi. Fui com um motorista até a
fronteira. Já viu né, polícia de fronteira terrestre. Dar visto de saída de um,
fazer o visto de entrada no outro. Essas pequenas autoridades são um caso
sério. Só porque preenchi o formulário colocando somente dois dígitos no meu
ano de nascimento, tive que preencher outro formulário, enfrentar outra
fila...mas no final dá tudo certo.
Hoje
fez calor. Foi o primeiro dia. Eu que pensava que África, perto do equador
seria muito quente, errei, pois tenho dormido de cobertor todas as noites. Como
estou acima de 1.600 m. Aqui o sol é
quente mas o vento refresca bem.
Passei
por Arusha. Uma cidade grande e comercial. Depois de um lanche na estrada
chegamos ao parque do Lago Manyara. Muito interessante, pois se entra por uma
densa floresta. Árvores enormes, troncos grossos e muitos troncos caídos.
Depois de ver alguns macacos e muitos babuínos, se chega a uma planície enorme.
Para
compensar a cheia do Lago Nakuru, o lago Manyara está quase seco. Vou sugerir
uma frente de trabalho para transposição do lago.
Apesar
de não poder se aproximar dos pássaros, muitos. Formou uma paisagem muito
bonita. Mas não sei responder porque planejei tanto safari.
Agora
é dormir e amanhã cedo continuar a viagem para chegar ao Serengueti.
Eis que depois de não conseguir publicar a mensagem do dia,
eu acordo no meio da noite com poesia de João Cabral na minha cabeça. Algo
assim:
“E se responder não pude à pergunta que fazia. Ela, a vida
respondeu, com sua presença viva.”
Dia 2
Não consegui postar nada ontem, apesar de dizerem que tinham
wi-fi.
Saímos cedo e passamos pela portaria do parque Ngorongoro. É
tanto papel que vocês não imaginam, ou melhor, como eles dizem é herança da
colonização britânica, precisamos fazer um comparativo com a colonização
portuguesa.
Subimos por uma estrada de terra até a altitude de 2.300 metros, uma floresta
maravilhosa. Eu que dizia que a floresta amazônica não tinha comparação, acho
que isso continua valendo pelas dimensões, mas a beleza é possível de ser
equiparada.
Caminhamos pela borda da cratera de ngorongoro, um vulcão
extinto. Emocionante ver a cratera e todo o habitat em torno. Tudo vai ficando
verde, rasteiro e plano.
Entramos na reserva de Serengheti. Uma planice só, verdinha
e cheia de bichos. Um espetáculo feito com régua e vida. Os bandos de Gnuns,
milhares em migração. Infinidade de elefantes, de zebras, etc. Vi várias
tchitas lindas e escondidinhas. Isso é a maravilha de fazer vários safaris, a
vista vai ficando curiosa e aguda para encontrar tudo em todos os lugares.
Ví leopardos em cima das árvores e o que é inédito: vi leão
em cima de árvores, o mais inédito ainda é que tinham dois leões em uma só
árvore.
Um espetáculo primoroso, em todos os sentidos. Agora estou
fazendo o que vim buscar. Sair do mundo, viajar no tempo, encontrar raízes.
Estou revivendo coisas muito antigas. Morrendo de medo, mas enfrentando.
Agora estou em uma barraca, no meio do Serengeti. Sozinho,
sem luz, sem tomadas, sem som, sem nada. Tive que esquentar a água e colocar em
um balde que vira chuveiro. No final da tarde, ligam um motor que faz carregar
as baterias. Jantar à luz de velas (maravilhoso, por sinal). Agora é esperar o
sono chegar, sem sair da barraca.
Dia 3
Três dias sem ter notícias e sem avisar ninguém. É uma
desintoxicação digital, comunicacional e tudo o mais.
Estar em uma barraca no meio da África, dentro de um parque
considerado o que mais tem animais ferozes, é um exercício de paz. O vento
balança a barraca, acordo assustado, mas descubro que é só o vento e consigo
dormir bem depois. Hoje vai ser o
terceiro dia que não almoçamos, levamos lanche e fazemos piquenique.
O Serengueti é uma coisa de louco. Nesses dois dias vi a
migração dos gnus. São mais de 3.000.000 que migram nessa época. Some-se a isso
quase 800.000 zebras que caminham junto. É impossível descrever, não há foto ou
filme que consiga captar essa loucura. Sem contar na quantidade de mosquitos
que ficam por perto.
Fora isso foi um dia de muitos leões, leopardos,
Nossa, que aventura!!!!!já vai fazer um mes quase.......nesses momentos sozinhos fica um guia por perto?....
ResponderExcluirDemais Marcelão. Cuidado aí heim???
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