domingo, 9 de janeiro de 2011

Ho Chi Minh



Ho Chi Minh é o novo nome da velha Saigon. Uma cidade mais moderna como dizem. Tem 300 anos e hoje conta com 9 milhões de habitantes sendo que mais de 5 milhões de motos trafegam pelas ruas. Continuam os mesmo problemas, casas com frentes pequenas, onde constroem outros pisos para os filhos. Todas as casas tem um comercio em baixo, O centro tem prédios mais modernos.
Estou na conchinchina...
Tive uma das mais duras aulas de história de toda a minha vida. Criei coragem e fui visitar o museu da guerra. São três andares com as fotos doadas pelos jornalistas da época. É um museu ainda sem recursos da modernidade, as fotos estão velhas e dispostas de maneira até simplória.

Muitas dessas fotos eu vi nos jornais e nas capas de revistas. Todas juntas, Vi uma das salas onde tem as fotos dos políticos e os acordos da época. Em outra as fotos da guerra mesmo. Em outro andar as fotos das chacinas, uma exposição das armas (que evoluíram muito em 9 anos).mas quando se chega na sala com as fotos das deformidades causadas pela guerra, a emoção vai subindo e o onde
antes era silêncio, se escuta chupadas de nariz, mãos nas bocas olhos que não se encontram. Eu não consegui ver mais, fui para a lojinha do museu e comprei o livro do museu. Um dia eu tentarei ver mais.
Ao sair há uma quantidade grande de jovens portadores de deficiências vendendo seus artesanatos.
Numa construção ao lado reproduz os cárceres e exibem equipamentos de tortura.
Em frente os aviões, tanques e helicópteros.
É um passeio de domingo para eles. Muitas famílias e lógico que turista estupefatos como eu.

Entrei em um templo taoista, conheci um pouco de seus hábitos. Só assim mesmo para esvaziar um pouco o que vi pela manhã. Este templo fica no bairro chinês e descobri que depois que os americanos saíram daqui em 73 eles continuaram em guerra entre norte e sul e a reunificação só foi assinada em 75. O pior foi que depois disso os chineses tentaram invadir e até 79 houve até perseguição entre os bairros.

Depois do almoço fui ao palácio do presidente e descobri mais ainda. a guerra aqui era entre o exercito local e os Vietcongs (guerrilheiros da própria região que tinham ideais revolucionários).

De fato o contato com essa realidade faz com que a gente entenda cada vez menos o que já era difícil de entender. Uma guerra ideológica sim. Mas mais estúpida do que possa imaginar.
Ainda há rivalidade entre o sul e o norte, tentam buscar paz, mas se percebe que Saigon ainda se julga melhor do que Hanói. Ainda se ressentem de terem perdido a força do capitalismo e das propriedades privadas. O caminho é de reconstrução, mas é muita gente em pouca terra. Os direitos são pequenos

Mas o maior nó na garganta ainda é o meu. Eu não sei se precisava ver essas coisas, mas o mundo precisava ter aprendido com isso tudo. Essas guerras continuam pelo mundo, as pessoas ainda tem marcas que vão além das questões ideológicas.

É... só saindo nosso mundinho, a gente respeita um pouco mais esse mundão.

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