sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Enfim eu cheguei ao Vietnã


Agora sim, chove o dia todo, os campos de arroz ocupam cada pedacinho de chão, as pessoas usam o chapéu... isso que eu via nos filmes.
Mas nem tudo são flores, isso aqui é pirante. Cheguei ontem à noite em Danag em um Airbus 300 enorme e lotado. No caminho para cá (estou em Hoi an) vejo que os terrenos são um pouco maiores, as avenidas bem mais largas e uma seqüência de hotéis enormes de frente para o mar.
Danag era o porto que os americanos usavam para chegar aqui. No trajeto para cá p
assamos pela praia da China, era onde eles descansavam. Hoje existem projetos de 29 hotéis 5 estrelas, e o guia fala com orgulho que: "Antes eles traziam armas e agora trazem dólares... eles estão investindo muito aqui, já foram 34 milhões de dólares, por causa dos efeitos do agente orange...." É claro que é preciso compensar, mas virar herói é um pouco demais para minha cabeça.
Essa região foi ponto estratégico, é o famoso paralelo 17 e divide o sul do norte. Quando os exércitos do norte foram descendo, aqui se jogou muito agente orange, para desfolhar as matas, para prender as pessoas que estavam nas matas. Ainda nascem pessoas c
om defeitos, sem olhos e deformações, parece que as conseqüências ainda vão muito longe.
Fui conhecer o sítio arqueológico de My Son, eram mais de cinqüenta templos construído no século VII. A civilização Champa tinha templos de influência Induista, com imagens de shiva e tudo mais. Quando os chineses vieram para a região, eles só quebraram as cabeças
das imagens, para que elas não "funcionassem" mais.
Mas na guerra, muitos templos foram destruídos, porque acreditavam que as pessoas se escondiam dentro deles.
Existem buracos de bombas ao lado das ruínas.

Arqueólogos tentam entender como eles faziam e colavam os tijolos, pois não tem explicação para essas construções serem tão bem feitas.

Depois um grande presente. Cheguei a Hoi Am. Uma cidade do século XIII. Onde os chineses moravam até serem expulsos após a guerra, quando o comunismo acabou com seus privilégios de comerciantes. É uma cidadezinha de 10 mil habitantes, muito charmosa, com restaurantes e lojas que não acabam mais. Um mercado que supera tudo que se possa imaginar. Pena que chovia sem parar.



Um comentário:

  1. é outra cultura mesmo toda diferente da gente. Esconder assim um passado tão triste, doloroso e em relação à história, tão próximo é algo, isto sim, pirante.
    abraços, Marcelão,
    Fernando.

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