Férias, essa palavra e seu significado sempre foi uma coisa
muito ambígua para mim. Ambígua como tudo, e isso nos torna inteiros. Sempre
tive a sorte de fazer o que gosto e me realizar muito no trabalho, pois, pude
fazer coisas significativas e oportunidades novas para conseguir me desapegar
de minhas muletas e medos, ao mesmo tempo que gosto de férias e sinto um tempo
perdido quando não produtivo, mas muito prazeroso.
Amar e odiar, sonhar e frustrar, sorrir e chorar.
Essas férias já começam com algo especial. Não consegui
fazer as malas direito por estar muito ocupado, além de ver um filme no avião:
“A Luz entre Oceanos”, ser fisgado por uma história muito bem construída e
conseguir concordar profundamente com os quatro personagens, sem saber nada que
eu faria diferente de nenhum deles. Chorei muito, sem vergonha e sem esconder
das pessoas.
Comecei a pensar em tantas ambiguidades presentes esse ano:
- · Duas pós-graduações que me ocuparam e me libertaram, me devolveram à coisa de ter trabalhos para entregar e ficar esperando notas. Uma horrorosa delícia entre todas as possibilidades do meu pensar e do pensar do outro.
- · Dois projetos de atividade associativas. Um projeto social na periferia e um projeto de uma categoria de profissionais. Esse impasse terrível entre o grupal e o individual que sempre me atormentam, alimentam e sugam.
- · Duas recorrentes descobertas das relações afetivas entre amigos. Alguns que nos elevam e outros que tentam nos destruir. Descobrir que a gente pode lidar somente com nossos sentimentos e não consegue interferir nos vínculos, neuras, identificações e paixões dos outros. Eles sempre fazem o melhor que foram capazes. Descobri muito e deliciosos amigos, já disse obrigado a eles.
- · Duas profissões, entre as escutas individuais e os processos de grupos,
- Dois sentimentos impossíveis, a onipotência e a impotência, que se encarados de frente pode nos dar uma ”potencia” para equilibrar, um pouquinho só, o nosso mundo interno e externo, nossa moral e liberdade, nosso instinto e um mínimo possível de racionalidade.
- · Dois tempos, o velho e o novo, muito legal resolver refazer a casa da gente, olhar os objetos e decidir que ainda quer ter ou quer dar, cada uma das coisas que estão guardadas. (Estou saindo de viagem e deixando meu apartamento total e literalmente destruído, alguém vai passar uma massa fina, por novo piso, nova parede, nova luz e vou ter um novo espaço, menos condicionado às histórias e vícios. Vou construí um novo ninho.
- · Duas posições possíveis: pagar preço entre falar e calar, viajar ou economizar, reformar ou conservar, etc.
Lembrei de uma poesia que escrevi quando tinha 18 anos e que
vivo inconscientemente desde então;
claro que poema já foi rasgado, destruído e esquecido, mas deixou uma marquinha.
“Sou sempre todas as possibilidades, unidas, fundidas e
encarnadas em um só bomba sanguínea, .... por isso que o coração bate e não
explode”
Já estou em Miami, amanhã eu conto o que vi, depois de amanhã eu parto para o Caribe.
rindo aqui. Uma vez, em Miami, eu e Carlos Wilkes tínhamos umas seis horas entre o voo que tínhamos feito até aí e o outro que nos traria para casa. Sem ter nada para fazer, resolvemos conhecer a cidade. Então, pra gastar o tempo, o que acabamos fazendo foi pegar um barco e fazer um passeio aí pela baía, conhecendo segundo os organizadores ( no horário possível era o único passeio) as casas de famosos. Manja só que programa de índio. Quando vi que estaria na América pensei que faria um roteiro a la Oliver Stone e, ou belezas naturais tais como o Grande Canyon, que tenho grande vontade de conhecer. grande abraço e aproveite. Fernando.
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