Sai do hotel antes da seis da manhã. A neblina
permanece. Varanasi é essa inquietação,
a cidade não oferece nada além da energia e fé.
Uma parte de carro e depois a caminhada até chegar ao rio. Peguei uma
barca, a remo é claro, e subi o rio. No meio da bruma se avista palácios,
escadas, peregrinos, lavadores de roupa e fiéis. Entram no rio om uma fé
enorme. Faz menos de 8 graus, mas não tem importância a fé é maior que o frio.
A Índia é isso, muita sujeira e pobreza, mas ao mesmo tempo
muita pureza e riqueza. É uma experiência emocionante, despir de nossos
preconceitos. Pessoas arqueadas e embrulhadas em cobertores, nem sempre são
mendigos ou bandidos. No caos é preciso manter o centramento. Não é preciso
compartilhar ou conhecer seus Deuses... sei lá, acho que nunca vou conseguir
explicar...
Passei pelo crematório, ainda era madrugadinha, caminhei
entre montanhas de lenhas, templos particulares e um labirinto de ruas
estreitas, cheias de lixo, vacas e altares.
Fui consultar com um mestre em ayurvédica. Conversamos muito
sobre aromas, sementes e a briga entre muçulmanos e hindus. O templo hindu está
cercado de militares armados, pois é vizinho da mesquita, e está ameaçado pelo
taliban. Acho que vamos viver eternamente com essa briga em nome de Deuses, ou melhor
entre as interpretações que os homem fazem de seus Deuses.
Arrumar as malas não foi fácil. Tenho certeza que precisava
de tempo e coragem para ficar em Varanasi e caminhar em meio a essa multidão de
peregrinos.
A primeira impressão que tive em Delhi, foi desfeita. Passar
pela polícia e pelos aeroportos é um sufoco. Sair de Varanasi foi uma epopeia.
São muito burocráticos, complicados, etc.
Pior foi chegar no Nepal. Tive que entrar em filas para
tirar o visto de entrada. As malas do voo sumiram. Parece que nas esteiras de
malas descem todas as importações do país.
No fim tudo deu certo. Já estou no hotel. Já jantei e vou
dormir, além de acordar de madrugada, foi um dia de muitas filas, descobertas e
soluções.
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