quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Etiópia - Lalibela

Hoje foi o dia. Dia tudo. Tudo de canseira, tudo de emoção, tudo de experiência, tudo de raiva (nada de grave só a agencia daqui).
O dia começou com água fria, barreira policial com revista no caminho do aeroporto, pois estávamos perto da fronteira do Sudão. O voo foi legal em um Bombardier apertadinho (ai que saudade da Embraer).
A cidade fica no alto de montanhas. A Região está bem seca, com rios secos, mas se vê paisagens e montanhas muito bonitas. A cidade é uma surpresa na entrada, estão fazendo conjuntos habitacionais que parecem legal. Ao chegar na cidade mesmo, vemos uma multidão em condições muito piores do que eu havia visto e me chocado. 
O Hotel é bem simples, mas possível, o problema é que é bem afastado da cidade e a agência daqui não reservou carro.
Foi até bom eu me expor às caminhadas de beira de estrada junto com essa multidão de peregrinos. O guia, com medo de assustar, mentia o tempo todo dizendo que era logo ali depois da curva, e vieram muitas curvas e muitos morros íngremes, tudo isso a mais de 2.000 m de altitude. Na hora do almoço vamos nós subir outra montanha. O que dá muita raiva é a mentira. Imagino se mais pessoas tivessem comprado esse pacote. Imaginem crianças ou com mais dificuldades.
Vamos às coisas boas. Não é à toa que Lalibela é patrimônio tombado pela Unesco. É enorme só dentro da área do patrimônio já seria um bom exercício.
O rei  Gebra Lalibela, lá pelos idos de sec XI, indignado com a conquista da terra santa pelos muçulmanos, resolveu construir uma nova Jerusalém.
Construiu 11 templos escavados em uma única rocha. É impressionante, pois não se sabe que ferramentas usaram e nem onde estão as rochas que foram retiradas daqui.
Agora, depois de um bom banho, mesmo sem ver as fotos, tenho uma emoção muito forte e presente dessa vivência de um tempo dentro de igrejas tão surpreendentes e da fé desses peregrinos. Uma obra inexplicável, que ainda hoje tem muitos monges que vigiam, oram e dormem em buracos na parede das montanhas.





terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Etiópia - Gonder

Para vocês, ai no mundo Católico é natal de 2.013. Para mim, aqui no mundo ortodoxo, ainda é 2.006 e o natal é só dia 29.
Em todo caso, hoje eu vi centenas de Marias, de Josés e Jesus Cristinhos. Caminhavam em paz ao longo da rodovia. Eles sempre caminham, e como caminham.
As mulas sempre os acompanham, ou melhor, os burrinhos carregam pesos, carroças e esperanças.
Depois de 180 km de estrada, vendo vilarejos, roças e montanhas. O aparente acostamento sempre lotado de caminhantes. 
Acho que valem mais alguns dados sobre a Etiópia:
Há muita indicação de que o Homo sapiens surgiu aqui, portanto a humanidade se espalhou pelo mundo a partir daqui. Essa é a raiz da humanidade.
População de 82,8 milhões de habitantes distribuídos em uma área de 1 104 300 km².
80% do PEA (População Economicamente Ativa) do país estão inseridos na agricultura; que é a principal fonte de renda, correspondendo a 90% do PIB (Produto Interno Bruto). Os principais produtos de exportação são: café, sementes oleaginosas, feijão, flores, cana-de-açúcar, trigo, milho, sorgo e cevada. A economia do país é uma das mais atrasadas do mundo, o que resulta num quadro social desolador, pois aproximadamente 50% da população são consideradas subnutridas, com intensidade crônica.


A distribuição da população da Etiópia geralmente está relacionada à altitude, clima e solo.  Esses fatores físicos explicam a concentração da população em terras altas, que são dotadas de temperaturas moderadas, solo rico e chuva adequada.
A população etíope é diversificada. Há no país mais de 70 grupos étnicos e falam 84 línguas. O maior grupo étnico é o Oromo. Apenas 42% da população com mais de 15 anos é alfabetizada.
As secas periódicas, a erosão e o esgotamento do solo, o desmatamento, a alta densidade populacional e a infraestrutura precária tornam difícil o abastecimento. 

Depois da estrada, cheguei a Gonder. Aqui se tem uma surpresa ao contrário. Descobri que não só foi berço da humanidade, como já tinha estrutura de Imperio há 3.000 anos. Sim, isso aqui se organiza com Salomão e a Rainha de Sabá.
400 anos antes de Cristo, os gregos chamavam de "Etiópia” os países com população de raça negra, sem distinguir reinos nem países e citam o reino de Axum era extremamente rico no século I  e o reino da Etiópia é citado na biblia mais de 40 vezes.
Gonder foi Sede dos imperadores a partir de 1.600. Nessa época foi contruida essa igreja. Muito linda.

O imperador trambém contruiu uma piscina, isso mesmo, é ele ia nos dias quentes e também era um lugar para os viajantes se lavarem antes de chegar ao castelo. Hoje estão fazendo limpeza, pois no mês que vem, é aqui que se comemora a epifania - quando Deus feito Homem se revelou ao mundo. Nessa festa, quem se molha consegue todas as curas. a etiópia é o país que aolheu o cristianismo no sec IV. É o País cristão independente mais antigo do mundo.
Depois disso tudo fui conhecer o castelo, ou melhor, os castelos. são seis. Lindos e impressionantes, mas vale destacar duas informações:

A mais impressionante é que tinham sistema de captação e armazenamento da água da chuva.
A triste é que as partes que estão destruidas, foram atingidas pelos italianos durante a segunda guerra mundial.

Feliz natal para vocês.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Etiópia - Bahir Dar

Pouco sono, pois a necessidade de levantar muito cedo sempre causa ansiedade. Acho que hoje eu preciso escrever. Registrar os dados.
Chegamos tão cedo ao aeroporto de Addis Abeba que ele ainda estava fechado. Em compensação às 9 horas eu já estava em um barco no lago Tana. É um lago enorme, tem 84 km de comprimento e 66 km de largura, e está localizado nas terras altas do noroeste do país. A profundidade chega a 18 metros, e cobre cerca de 3.500 km², a 1840 metros de altitude.  Recebe água de 5 rios e sua única vazante é o que inicia o Rio Nilo.
Descobri que a Etiópia é o segundo maior pais entre os 54 que formam a África. Sua grande riqueza é a água. Historicamente já lutou com todos os vizinhos, pois todos dependem das nascentes daqui.
Agora eles acreditam que vão para a frente. Depois que a Al-kaeda desviou seu foco de atentados para o Kenia, a Presidente Dilma doou um dinheiro, 4 usineiros brasileiros estão construindo usinas de álcool e u uma ferrovia, uma empresa brasileira está construindo uma hidroelétrica.  Empresas americanas e chinesas estão explorando petróleo e os EUA tem 40.000 soldados no pais.........!!!!!! ?????
Voltando ao Lago Tana. Depois de andar do barco por quase uma hora, cheguei a uma ilha (entre mais de 30) com 8.000 habitantes. Tem sete monastérios com mais de 800 anos. Visitei o maior deles, tem uma arca interna (um caixote de pedra com cerca de 15 passos de cada lado) revestido de telas com pinturas sagradas. Lá dentro são guardadas as riquezas, mas só um monge pode entrar – tem que ser sem família, sem esposa, etc...




Em outra ilha, vi um museu (uma sala) onde está uma barraca do imperador do Sec. XVI e objetos da época. É estranho imaginar que descendentes de Salomão e Rainha de Sabá tenham vivido nessas condições.
Mais estranho é descobrir que nas duas grandes guerras os italianos invadiram a Etiópia. Para esconder essas riquezas, levaram tudo para as ilhas. Encheram 17 barcos com ouro, pedras e peças preciosas e os afundaram perto das ilhas. Tudo está sendo resgatado.

À Tarde encarei uma estrada de terra terrível, para chegar nas cataratas onde nasce o Rio Nilo. Eu vi. Vi tudo que se pode imaginar. Vi muita pobreza. Os olhos enchiam de lágrimas, eu me engasgava com a poeira. Trinta e tantos km de pessoas caminhando pela margem da estrada...
Depois que fui capaz de conversar, entendi que essa região era onde haviam os acampamentos de ajuda humanitária. Para cá vinham os fugitivos de guerra e da seca. Olhando por essa ótica, as coisas estão melhores. Não se vê mais raquitismos e pedintes. As condições ainda são muito precárias, mas já tem casa, de pau e barro, convivem e conversam. E chupam cana. Fazem e vendem artesanatos para os cerca de 15 turistas que andam por aqui.
Dai outro dilema. As cataratas estão quase secas, pois a água foi desviada para as usinas de álcool. Agora eles tem emprego e cana para chupar. Tem uma disposição para caminhadas, já pastoreiam, plantam e tecem. Ainda transportam em carroças, mas as crianças já vão à escola (mas ainda trabalham muito)
Sei lá. Nem sei o que contar, nem as fotos expressam o que vi e vivi. Fiquei com muita vergonha de tirar fotos. É uma realidade tão pirante que a gente não sabe o que fazer.

Mais reflexões
Está sendo muito interessante a leitura do livro durante a viagem. As reflexões do Bonder sobre a necessidade de tirar os sapatos (se despir de preconceitos e ter contato com a realidade, sem julgamento exercitar o respeito) traz citações muito fortes:
“A identidade gera valores e compromissos, mas pode provocar efeitos colaterais bastante sérios em nossa relação com a vida e com nossa essência” de fato, só quebrando nossa identidade podemos despir as fantasias de nós mesmos. É legal ver que “Nossos Deuses são produzidos em nossos sapatos e a única maneira de encontrarmos o Deus único é descalçando os pés. Fora dos sapatos, encontramos a distinção entro as nossas certezas e a realidade.”
Essa briga entre nossa identidade e as certezas, contrapostas com outras certezas e suas manifestações nas culturas, por vezes despertam sentimento bravos. Ontem quase briguei no avião. Eu e um casal de italianos ficamos indignados ao ver a forma como uma mãe tratava seu filho. Uma criança linda, com cerca de um ano. O menino berrou por mais de 30 minutos, um choro terrível. Nem a mãe e nem a avó falaram uma palavra com a criança, nem uma bronca, nem um carinho. Seguravam forte, davam tapinhas. Nem um olhar, nenhuma atenção. O avião todo impassível, acho que preciso evoluir muito para respeitar as diferenças no trato com crianças. Ainda bem que eu não tinha linguagem para interferir. Foi muito difícil suportar a situação.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Zanzibar - Festa Massai

Ontem, já meio melancólico pelo fim da estada em Zanzibar, depois de falar com o Brasil e ver minhas netas pelo Skipe e a saudade aumentar ainda mais, depois do jantar e minha despedida dos frutos do Oceano Índico,  já estava me recolhendo quando escutei uns gritos.
Procurei e logo encontrei uma cerimônia/Show/ritual, sei lá o que dos Massai.
Muitos deles trabalham de segurança no hotel em que eu estava. Sempre vinham tentar conversar comigo. Um deles saiu comigo todos os dias que fui caminhar na praia, ia ao meu lado e conversávamos bastante (sei lá como ou em que língua). Ele me contou que os traficantes abordam os turistas, vendem maconha e depois denunciam para a policia. A policia cobra caro e depois racha a receita com os traficantes. . . . . sem comentários.
O que valeu foi estar nessa roda. Eu estava sem a minha máquina, mas fiz um filme e fotos com o celular. Parece estranho assistir, mas o som e a energia vai tomando conta da gente. É quase um transe, fiquei inebriado e agradecido por poder estar vendo essa energia, primitiva e conservada por jovens que vivem fora de suas tribos.
Fico imaginando até quanto um joelho desse agüenta. Pior ainda é que fazem impulso só com os pés.

Curtam um pouco:


Pena mas o vídeo não abre aqui.
Hoje, foi dia de arrumar mala, caminhar na praia, aeroportos, aviões, etc. tenho que dormir rápido, poia amanhã levanto às 3:20 para outra viagem.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Zanzibar - Tartarugas e Mergulho

Tem dia que parece que está mais. A água parece que está mais transparente, a areia parece que está mais branca, o sol parece que está mais quente, o tempo parece que está mais lento, acho que estou mais em férias. Embora não pareça essa parada inicial já está quase acabando.
Sai cedo e fui para o porto da cidade, outra vez atravessar a ilha e sacar um pouco mais. Os nativos daqui, tendem a ser mais baixinhos enquanto os Massai (que vem de tribos da Tanzânia) são mais altos e magros. As mulheres daqui (quase 100%) usam véus (dizem que até as cristãs) enquanto as Massai raspam a cabeça. O povo dos dois locais tentam ser muito hospitaleiros, puxam conversa e quando descobrem que sou brasileiro, exclamam: Rivaldo!...depois falam de Neymar, Ronaldo e Roberto Carlos, pois é parece que Pelé já não é referencia.  
No Porto, peguei um barco e atravessei até a ilha que servia de presídio e de quarentena contra o cólera. A viagem em mar bem forte e bem limpo. A Ilha é um paraíso. Se um dia eu tiver que ser preso, podem colocar esse mar em volta.
No caminho para ver o presídio passei para conhecer minhas amigas tartarugas, eles tem mais de 300 kg e mais de 150 anos. São bem pacíficas, embora uma delas tenha mordido o dedo de uma menininha (acho que estava irritada com o barulho dos italianos). 
 Depois de um tempo passeando, escutei gritos mais fortes do que jumentos em orgasmo. Era uma transadinha básica. O bicho berra muito alto.


 O melhor ainda estava por vir, fui fazer mergulho livre. Olha que em 20 anos de mergulho, nunca vi uma visibilidade dessa, uma variedade de peixes e vidas nesse coral. Não precisa mergulhar, basta uma máscara e um snorkell. Um espetáculo espetacular maravilhoso mas é difícil descrever.







Obs. Ontem eu esqueci de contar. Enquanto esperava os golfinhos aparecerem, tive a oportunidade de ver, por duas vezes, o voo de peixe voador. Em cardumes, ou em bandos? É muito rápido e impressionante. Me senti um Pi. Mas os que vi eram poucos e voavam baixinho por pouca distância.