segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Saint Martin - Philipsburg e Marigot

Depois de um bom show, bom jantar, boa música e boa noite de sono, amanhece chovendo, com mar calmo e poucas horas de chegar em Philipsburg em Saint-Maartin. Vamos passar o dia na ilha. Estou vendo terra. Lá vou eu. Chove, faz sol, chove, faz sol, chove, faz sol e tudo de novo um monte de vezes. E o navio atracou, agora é só esperar a liberação.
Reunidos em grupos conforme os passeios que escolheram, recebemos um adesivo com o número do Ônibus. O motorista grita e fala perto do microfone, a gente não entende nada. é só abstrair e olhar pela janela e parar de sofrer com os comportamentos dos turistas.

Saint Maartin é metade Holandesa e metade Francesa. Belo começo de história, ainda mais que está mais perto da Europa. O mar é lindo, mas as praias são de difícil acesso. Por isso tanta lancha e a lembrança de Angra, onde precisamos iniciar o movimento dos sem iate.

A grande atração da ilha e a praia mais frequentada é essa, na cabeceira da pista do aeroporto. Ví vários aviões descendo, mas nenhum boing, bem que queria ver.

Encontrei o casal de Brasileiros com que tenho jantado e gostado muito da companhia. Tomamos uma cerveja e segui viagem.

 O Centro de Marigot, a capital Francesa, mostra muito a arquitetura das colônias francesas, bastante bonito e antigo, um passeio no tempo e na história.


 Não deu tempo de subir ao forte, mas pude encontrar iguanas na estrada

 De volta à minha cidade flutuante. 


domingo, 18 de dezembro de 2016

Segundo dia

I
Ontem, no final do dia, resolvi ir ao piano bar tomar algo e relaxar. comecei encontrando pessoas de terno e de vestido longo, maquiadas e perfumadas. Demorei a perceber que todos haviam se arrumado para a noite de gala. E eu de bermuda e camiseta. O pior é que me sentia bem e com nenhuma vontade de vestir um terno. (Eu não trouxe e não traria) me conceito de féria não combina com terno e Caribe também. Sem culpa, continuei a caminhar pelo navio. com muitos fotógrafos e pessoas fazendo poses para fotos. 
Que delícia, os bares das piscinas estavam desertos, pude conversar com os tripulantes, jantar tranquilamente no bandejão e consegui chegar na sorveteria que normalmente é super lotada. Tomei o melhor sorvete de café com paz.
II
A noite foi um tanto agitada, por vezes escutava um barulho de encaixar ferros e parecia que a cama tinha um soco, como se alguém houvesse sentado nela. Pela manhã eu entendi, o vento estava forte, o mar agitado e o horizonte inquieto. Ele subia e descia, deitado e olhando para a janela, parecia que o horizonte se aproximava do chão e, no momento seguinte, subia até o teto.
Estando no 13o andar, o jogo fica mais intenso.
Ótimo, um café sossegado e um pouco de chuva na piscina, chuva doída por causa do vento e da velocidade.
Se aqui não tem montanha para segurar as nuvens, logo estaremos longe disso. O difícil é andar pelo navio, o chão inconveniente móvel, nos deixa em um andar de bêbado. Estou bem, eu curto essas experiências.
III
As que eu não curto, vieram depois.
Embora o sol tenha aparecido, o mar continua jogando. mesmo assim fui para a piscina. Achei um cantinho sossegado. Até que um casal (americano) chega, e encaixa um carrinho de bebe ao meu lado, fazendo sombra sobre mim. Quando eu reclamo, eles dizem, mas ele é um bebe. Eu digo que ok, então podemos trocar de cadeira e eles não concordam porque gostam do sol. Que merda que não tenho vocabulário para brigar. Outros 6 americanos que estavam próximos , só riram. 
Acho uma outra cadeira, deixo minhas coisas e vou dar um mergulho. Muito divertido por sinal, pois com o navio jogando bastante, a agua da piscina forma ondas e sai das piscinas, que naturalmente são cercadas e com espaço para isso.
Uma mulher, Linda, com 4 filhos lindos, americana, naturalmente, chega e e manda seus filhos tirarem os sapatos e as roupas para ir para a piscina. joga tudo em cima das minhas coisas e eu só olhando. Eles não se importam e vão para a piscina. O marido dela chega, dá uma bronca neles, porque não podem ficar naquela piscina (atrás, do navio) porque pode pegar fumaça do navio. Eles saem, molham todas as minhas coisas e vão embora.
Acho que já tomei sol demais, é melhor tomar um banho.
IV
Bom almoço, apesar das chinesas comendo com boca aberta.
Bom sono da tarde
Desfile de senhoras chinesas (haja fotos)

sábado, 17 de dezembro de 2016

Primeiro dia à bordo

O jantar na hora marcada, no restaurante marcado, com as pessoas que eles escolheram. Por sorte um casal de brasileiros, jovens do interior de São Paulo, ele médico e ela modelo. Um papo gostoso. Os outros três participantes da mesa não foram jantar.
O dia hoje não é propício para fotos. Um mar azul escuro e um céu azul claro. Nada mais além do navio que se pode ver em qualquer catálogo de navios.
O que me chama a atenção é o fenômeno: Cruzeiro, algo que se desvalorizou, pois já veio cruzado, cruzado novo e real. 
Nesse momento vejo um lindo arco íris, mas nem vou tentar buscar a máquina, porque, já sumiu.
Voltando ao assunto vale observar: são 16 andares. nós só acessamos do quinto para cima. são quatro conjuntos de elevadores e escadas. 
No quinto ao sétimo temos 9 bares, 7 restaurantes shopping, secretarias, cassino, teatro e galerias de arte. Do 14 ao 16 tem três restaurantes e sete bares, além de academia, spa, piscinas, biblioteca e espaços para kids.
O resto é cabine para 4.500 pessoas.
Garçons do mundo inteiro e alguns homens de branco andando com cara de maus e olhando se tudo funciona direitinho, inclusive a escala de trabalho. 
O interessante é observar, pois parece bem padrão:
Essa gente que faz cruzeiro:
  • São casais gordinhos e velhos, em sua maioria em grupos de dois ou três casais. Os cabelos delas está recém pintados, a maquiagem pesada e uma roupa de quem quer parecer mais jovem e esvoaçante. Normalmente elas mandam neles e eles são muito distraídos que precisam que lhes chamem a atenção.
  • Existem casais menos velhos, ou melhor, nem tão velhos, elas têm voz estridente e eles tem dinheiro, para que andem pelas boutiques e contem das coisas que viram e dos lugares onde estiveram.
  • Existem algumas famílias com crianças, normalmente barulhentas e indisciplinadas, mas que passam grande parte do tempo sendo invisíveis para seus pais, que nunca a advertem.
  • As famílias com filhos adolescentes são as mais diferentes, entre elas, mas iguais internamente. Ou são gordinhos por igual, ou loirinhos por igual, ou o que é mais ridículo, se vestem igual. Tem até uma família vestida de papai Noel e outra que fez uniforme para todos.
  • Os tradicionais turistas, eles de camisas floridas, elas de botox e chapéu, com muito creme na cara.
  • Frequentam a piscina e gostam das brincadeiras dos animadores, fazendo coisas ridículas, mas se divertem e muito.
  • Todos tirando self e alguns ainda tem seu pau de self.
Falta falar de um lobo solitário que fica olhando e preferindo ficar à margem disso. Mas que curtiu uma piscina, ficando mais de uma hora tomando sol deitadinho. Experimento drinks e dormiu. Enfim um pouco do ritmo de férias. 
Para completar, algumas selfies, ou melhor auto retrato:


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Dilema do passaporte

Estou sentado em um banquinho da polícia no porto de Miami. Estou tranquilo e cansado, acho que os imprevistos que tinham para acontecer estão acontecendo logo na partida. Minha casa está em reforma, destruída e cheio de gente trabalhando, logicamente terei que pagar muita coisa durante a viagem e, para começar, eu não conseguia acessar minha conta porque meu celular não recebia o SMS. 
Aciono um filho e peço que veja o que ocorria, ele comprou um pacote de dados internacionais, passei a receber SMS (de todos menos do Banco)
Acordo de madrugada, consigo falar com a minha irmã que falou com o banco e conseguimos resolver.
Com isso lá se foi a manhã. Faço um pouco de hora porque recebi aviso que o Navio estava em inspeção sanitária. Fico fazendo hora, até que vim para o porto.
Cá entre nós, eu não tenho vontade nenhuma de fazer cruzeiro, mas foi a alternativa mais barata para ir para o Caribe. Para conhecer os países como eu gosto, de andar no meio do povo e ficar no lugar, comendo a comida típica, mas para qualquer lugar que se queira ir, é preciso voltar a Miami e isso ficaria muito caro. 
Imaginem um navio com 4.500 passageiros, suas malas enormes, carregadores mal humorados. Uma fila enorme com gente que prefere passear de cruzeiro. Está certo que sou velho e gordo, mas não gosto desse negócio de coisas feitas para turistas com diversão pasteurizada e tentando uma diversão previsível.
Depois de uma fila enorme para se dividir em cinco filas para verificar documentos. Procuro que procuro e não acho meu passaporte.
Lembram quando reclamavam dos policiais mal educados dos aeroportos americanos, pois é, estão todos trabalhando no porto. Embora em Miami seja quase de língua espanhola, no porto nenhum deles fala espanhol.
Digo que deve estar em minha mala. Ela pede que eu suba, passe pelo Raio X e converse com o coordenador. Faço tudo isso, com filas intermináveis e o coordenador diz que eu tenho que sair e procurar minha mala.
Depois de um tempo enorme eu descubro que ela já subiu para o navio, Lá vou eu voltar tudo, explicar tudo e ficar aqui, esperando até que achem minha mala.
Ainda bem que tenho o blog para fazer. assim eu não fico na fila.
Vale lembrar que tentei fazer a reserva de wi-fi mas a decolar demorou muito e não conseguiu comprar o pacote. Imagino que eu consiga comprar a bordo, se achar meu passaporte e não conseguir internet, ficarei 8 dias sem dar notícias.
Depois de 4 horas, encontraram a mala e eu encontrei meu passaporte.
A fila já está pequena, vou embarcar.
Embarquei, fiz treinamento, estou morto de fome e sede. Até amanhã.
Enfim uma boa noite de sono. Aqui vão algumas fotos das minha saída de navio:





quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Miami, Miami Beach e Nova Havana.

Eu sempre  sofri mais quando mudo o fuso para mais (indo para o oeste), nunca soube porque. Indo para a Europa eu me adapto instantaneamente, voltando para o oeste a coisa é mais difícil. 
Ontem dormi no horário daqui, mas acordei, levantei, guiado pelo meu Ipad, que não havia sido conectado à internet, moral da história, eu estava pronto às 3 horas da manhã, ou seja às 7 no horário do Brasil e achando que dormi uma noite inteira.
Miami é a cidade mais carente do mundo. Fica falando "Me ame", "Me ame", "Me ame", "Me ame", e precisa gritar sim. É bonita, imponente, rica, e tudo aquilo que tanto se valoriza, mas... para meu gosto, falta alma. É uma cidade asséptica, ideal para casais comprarem seus apartamentos, para que gosta de coisas mais produzidas (baladas, marcas e restaurantes). 

As ilhas, foram e sua grande parte produzidas, mas sem acesso aos não convidados. Os prédios enormes, lindos, um padrão de beleza e funcionalidade e o jardim mais bonito, o único que me impressionou, foi projeto do Burle Max.

O diferencial da cidade, são os latinos, mais precisamente uma multidão de cubanos que nos trazem uma inquietação: Homens fortes, enormes e atléticos, filhos de mulheres baixinhas, gordas e com dificuldade de locomoção. Fico me perguntando, onde estão os filhos dessas senhoras e onde estão as mães desses homões? 
O clima é quente, o povo é amistoso e hospitaleiro.
A parte moderna a gente está cansado de ver nos filmes, a avenida dos restaurantes em Miami Beach é mais bonita nos filmes, embora seja bastante sedutora ao vivo.


O legal foi conhecer a região Norte da cidade, tudo muito cheio de arte nas ruas, muito lindo, pena que fui no final do dia e precisei voltar para não ficar sem transporte. 

O bairro de Nova Havana é mais vivo, mais humano, um tributo à resistências dos refugiados que achavam que Castro deixaria logo o governo de Cuba.



Mesmo assim, foram 10 km de caminhada. Valeu.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nova jornada, Pela primeira vez: EUA

Férias, essa palavra e seu significado sempre foi uma coisa muito ambígua para mim. Ambígua como tudo, e isso nos torna inteiros. Sempre tive a sorte de fazer o que gosto e me realizar muito no trabalho, pois, pude fazer coisas significativas e oportunidades novas para conseguir me desapegar de minhas muletas e medos, ao mesmo tempo que gosto de férias e sinto um tempo perdido quando não produtivo, mas muito prazeroso.
Amar e odiar, sonhar e frustrar, sorrir e chorar.
Essas férias já começam com algo especial. Não consegui fazer as malas direito por estar muito ocupado, além de ver um filme no avião: “A Luz entre Oceanos”, ser fisgado por uma história muito bem construída e conseguir concordar profundamente com os quatro personagens, sem saber nada que eu faria diferente de nenhum deles. Chorei muito, sem vergonha e sem esconder das pessoas.
Comecei a pensar em tantas ambiguidades presentes esse ano:
  • ·   Duas pós-graduações que me ocuparam e me libertaram, me devolveram à coisa de ter trabalhos para entregar e ficar esperando notas. Uma horrorosa delícia entre todas as possibilidades do meu pensar e do pensar do outro.
  • ·   Dois projetos de atividade associativas. Um projeto social na periferia e um projeto de uma categoria de profissionais. Esse impasse terrível entre o grupal e o individual que sempre me atormentam, alimentam e sugam.
  • ·   Duas recorrentes descobertas das relações afetivas entre amigos. Alguns que nos elevam e outros que tentam nos destruir. Descobrir que a gente pode lidar somente com nossos sentimentos e não consegue interferir nos vínculos, neuras, identificações e paixões dos outros. Eles sempre fazem o melhor que foram capazes. Descobri muito e deliciosos amigos, já disse obrigado a eles.
  • ·   Duas profissões, entre as escutas individuais e os processos de grupos,
  •     Dois sentimentos impossíveis, a onipotência e a impotência, que se encarados de frente pode nos dar uma ”potencia” para equilibrar, um pouquinho só, o nosso mundo interno e externo, nossa moral e liberdade, nosso instinto e um mínimo possível de racionalidade.
  • ·   Dois tempos, o velho e o novo, muito legal resolver refazer a casa da gente, olhar os objetos e decidir que ainda quer ter ou quer dar, cada uma das coisas que estão guardadas. (Estou saindo de viagem e deixando meu apartamento total e literalmente destruído, alguém vai passar uma massa fina, por novo piso, nova parede, nova luz e vou ter um novo espaço, menos condicionado às histórias e vícios. Vou construí um novo ninho.
  • ·   Duas posições possíveis: pagar preço entre falar e calar, viajar ou economizar, reformar ou conservar, etc.

Lembrei de uma poesia que escrevi quando tinha 18 anos e que vivo inconscientemente   desde então; claro que poema já foi rasgado, destruído e esquecido, mas deixou uma marquinha.

“Sou sempre todas as possibilidades, unidas, fundidas e encarnadas em um só bomba sanguínea, .... por isso que o coração bate e não explode”

Eu que sempre resisti em ir para os EUA, sempre gostei de conhecer tribos, culturas e civilizações diferentes, agora me encontro em um avião com destino jamais desejado e até, porque não dizer, temido. Vou ficar ali só um pouquinho, tenho certeza que vou encontrar coisas para gostar. Afinal: eu sou um gostador.
Já estou em Miami, amanhã eu conto o que vi, depois de amanhã eu parto para o Caribe.