segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Tessalônica - Inacreditável

Quando falei que pretendia vir para Grécia,  Francisco manifestou vontade de conhecer e falou dos caminhos de Paulo. Chegamos a pesquisar de ir para a Turquia e percorrer as 7 igrejas do apocalipse.
Diante dos atentados, da pouca estrutura no inverno e dos custos, acabamos por desistir.
Por fim planejei vir sozinho. Como ele vinha para a Inglaterra, não resistiu e acabou vindo com a condiçãoo de ir para Phillipos.
Todos esses dias, mas principalmente depois de fazer a postagem no blog, pesquisamos tudo de novo e foi difícil achar solução. Não existe trem, nem ônibus, nem nada. A cidade mais próxima era Drama. Uma cidade com esse nome não é bom agouro. Precisaríamos ir na confiança de encontrar uma forma de viajar 40 km e voltar a tempo de pegar o trem e viajar a noite inteira para Atenas.
Tudo seria cansativo e arriscado. Difícil mesmo foi conviver com a frustração. Abrir mão de conhecer o lugar onde se formou a primeira comunidade cristã na Europa...
Decidimos ir cedo para Atenas. Quando chegamos à estação, com mais de uma hora de antecedência, não conseguimos passagem. O trem estava lotado.
Só nos resta conviver, encarar a realidade. Quem sabe hoje a gente consegue ir ao museu.
No caminho, longo por sinal.

Em meio à revisão das coisas de ontem, ao tirar uma foto, dei um zoom, vi lá no alto, um castelo.

Um olhou para a cara do outro e falou: - Vamos lá?
Esquece o museu.
Descobrimos um presente. Grandes muralhas, castelos, e uma história que nenhum site havia nos indicado.

Subimos muito e cada vez mais a felicidade de não ter ficado na cidade.
Como o celular do Francisco calcula distâncias, da base até o topo da montanha, foram 6 km.(ontem andamos na chuva 17km)


Claro que paramos para tomar uma taça de vinho e água.

É difícil descrever. Rimos e valeu muito a pena. Só nós explorando muralhas, torres espaços ocupados pelo homem há mais de 2.300 anos.

Vimos a história não vendida para olhos de turistas. Nossa imaginação pode correr solto.
Na descida, ainda comemos em um boteco de uma rua comercial.

Uma delícia de refeição servida num papel. (boa ideia para são Paulo economizar água.)
Encontramos uma grande igreja que nos emocionou.
Tivemos que correr para não perder o trem. Mas conseguimos.


domingo, 3 de janeiro de 2016

Tessalonica

Chove e vai chover o dia todo, mas a temperatura deve ficar no positivo.
Dois malucos andando de guarda chuva em uma cidade que é feita para o verão.
Nada disso importa. Vamos misturar hoje o passeio, a história e tudo o mais.
Olhando o seu passado. Tessalonica foi fundada em 316 a. C. a cidade passou pelo domínio de muitos povos. Já teve grande população e muitos ataques e genocídios. Uma história pesada mas deu a volta por cima e é uma cidade que tem história e tem modernidade sem ficar contando as derrotas, mas convivendo com as marcas.
Cidade e patrimônio se misturam, é uma cidade medieval e hoje universitária e ao mesmo tempo tradicional e turística.
Informação: O escrito mais antigo Novo Testamento foi feito por São Paulo a esta comunidade – Carta de São Paulo aos Tessalonicense no ano de 56 d. C. Vale lembrar que toda a doutrina cristã teve seu início neste lugar. Não é impressionante?
Amanhã vamos tentar ir a Phillipos – a primeira comunidade Cristã na Europa. (está difícil achar transporte, mas vamos tentar.)


Começamos fazendo uma visita ao Aristóteles, na praça onde ele reunia seus discípulos. O filósofo que caminha ao meu lado, já foi mostrar intimidade, tentou pegar na mão mas acredito que o Grande Mestre sabe lidar com tietes do sec. XXI.


A gente vai encontrando muralhas, monumentos e sinais em toda parte, muito misturado com a cidade moderna.
Vejam essa muralha que fica atrás da quadra de esportes


Caminhamos à margem do mar Egeu, chegamos à torre branca, uma torre de observação do tempo medieval.


Descobrimos uma Igreja Ortodoxa. Gente, o Padre que tanto me explicou a divisão das igrejas e os conflitos entre os católicos (romanos, gregos, romenos, russos, etíopes, etc) nunca havia entrado em uma Ortodoxa. Imaginem uma criança em um parque de diversão, ele olhando os ícones, me explicando tudo e cumprindo os ritos e protocolos. Depois do final da missa, foi conversar com o padre e voltou com alguns pedaços de pão.
Depois dessa, foram muitas outras, uma mais bonita do que a outra.


A grande emoção foi chegar à Rotunda (construída em 300 d. C. É o mais antigo monumento histórico da cidade, já foi templo Romano, Cristão, Mesquita e Mausoléu do Imperador Galério (imperador romano que governou entre 305 e 311, um dos tetrarcas da Roma Antiga [governo político promovido por Diocleciano]).

Foi um dos poucos monumentos que encontramos aberto, mas foi de arrepiar.

Descendo a rua, a gente encontra o Arco de Galerio.
 Os museus estavam todos fechados, porque eles abrem aos domingos, mas hoje é o segundo dia do ano....rs

Conhecemos só por fora a Catedral da Acheiropoiitos (para nós a Achiropita) Templo que leva o nome por causa do ícone que recebe que significa – Não feito por mãos humanas – pena, mas não conseguimos ver. Igreja grande dedicada a Nossa Senhora e foi construída nos anos 450/60.
Outra emoção grande é encontrar o Forum Romano – Um dos mais antigos sítios arqueológicos da região e fica acima da praça de Aristóteles usados desde sec. IV a. C. até o Sec. VI d. C.


Fechamos vendo a Catedral de Santa Sofia (nem tão bela assim)


Comemos peixe com pimenta, vinho e bom papo.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Caminho para Tessalonica

Hoje, dia de arrumar malas, tomar café, pagar contas e começar a se despedir de Sofia.
Não era tão perto da Estação, mas decidi ir a pé, tinha tempo, e era a oportunidade de caminhar mais uma vez. Melhor ainda que começou a nevar, aquela neve fininha.
Acabei chegando cedo, fiz a reserva e descobri que não tinha muito o que comer. Esse negócio de tentar fazer um mínimo de dieta, complica a vida de um viajante.
Não teve jeito, um sanduba enfrentar uma estação em obras (vai ficar linda), A plataforma era longe e dependia de contornar a obra toda. Depois de uma briga entre o pessoal da estação, entrei em um vagão super-confortável, em uma cabine só minha. Bom tempo de leitura e cochilos.
Estou indo para Tessalonica. Vou conhecer a Grécia. Sempre adiei a vinda para cá, pois aqui só tem turismo fora do inverno. Dizem que fecha mesmo. Portanto, como eu tiro férias é nessa época mesmo e gosto do frio, vou conhecer uma Grécia diferente. Sem ilhas, navios e baladas.
Melhor ainda que hoje vou encontrar um amigo. Um amigo que este ano cresceu muito em minha convivência e se tornou um grande amigo, de muitos papos, estudos, pesquisas, filmes e trabalhos.
Francisco é meu colega na escola e temos tidos longos e profundos papos que ajudam muito no auto conhecimento, Filosofo (já pensou ter um professor de filosofia andando ao seu lado na Grécia), Padre com profundo conhecimento e cabeça aberta para compartilhar o que sabe sem dogmatismos e além de tudo gosta e estuda São Paulo, portando vamos andar juntos por terras e caminhos que São Paulo fez para evangelizar.
Ah, tem mais uma vantagem: agora estou com uma pessoa que fala inglês e já estudou grego.
Juntou tudo, guia turístico, interprete, professor, companheiro e bom amigo ah! E gosta de vinho.
Portanto, se nas próximas postagens, quando eu escrever no plural, não sou só eu e meus fantasmas, agora tem uma pessoa.

Tudo muito bem, na saída da Bulgária a policia pegou os passaportes, carimbou a saída e eu fiquei preparado para a fronteira da Grécia. Já estou tranquilo com isso.
O trem parou um tempão e nada da polícia grega. Andou um tantinho e parou novamente. Depois voltou outro tanto. Sei lá foram várias paradas longas e não era manobra não.
Eis que de repente, não mais que de repente o trem vai embora e eu não carimbei a minha entrada na Grécia.
As cabecinhas complicadas como a minha, começam a levantar hipóteses e possibilidades, das mais normais às mais catastróficas.
Ando pelo vagão e só tem um casal de velhinhos e seu cachorro. Nenhum segurança, nenhum fiscal, nada. Sento e relaxo.
Ai começam a falar pelos alto-falantes. Eu que tenho dificuldade com o inglês, imagina escutando grego em som horrível. Nunca tinha visto avisos longos dentro do trem. Várias vezes ele falava coisas que eu não entendia.
Paciência, ou alguém vai me explicar em algum lugar ou quando chegar eu desço.
Mas ... e o visto ... na pior das hipóteses estou na comunidade europeia.
A única coisa que devo assegurar é que estou no trem certo.
Fui até a cabine dos velhinhos e perguntei se este era o trem para Tessalonica. Ela falou que sim. Quando ele foi tentar me explicar em grego, fui salvo pela velhinha – Ele só quer saber se é para Tessalonica e é.

Obrigado às mulheres objetivas.
Cheguei, Jantamos, estamos alojados e está tudo bem.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sofia - Santa Sabedoria

Ontem foi ano novo, ou melhor. hoje é ano novo. Ontem era ano velho.
Depois de falar com algumas pessoas. Desci tarde para tentar jantar. Tinha festa e eu não tinha feito reserva. 
Ótima desculpa para sair, a -12 graus e caminhar pela cidade para tentar jantar. Doce ilusão, eu e uma multidão procurando lugar e tudo estava lotado, com DJ tocando alto.
Em uma cantina, o rapaz me atendeu, viu que era estrangeiro, falou comigo em espanhol que era uma festa privada, mas se eu quisesse podia ficar. Como a minha cara de pau não é para essas coisas, achei melhor agradecer.
No quarto, abri uma castanha, um vinho e pude apreciar pela janela uma bela queima de fogos.

O dia amanheceu ensolarado, o que quer dizer que o frio ia continuar. 
Sai caminhando pela cidade vazia, exceto por alguns bêbados, e trabalhadores desmontando as festas.
Fou para um lado que não tinha ido, mesmo assim fui vendo uma cidade muito interessante.
Mas quando percebi, estava perto da catedral. Achei legal voltar lá.
Quando ia me aproximando, havia um cara expulsando os mendigos, vendedores e até alguns turistas.
Quando olhou para mim, com a câmara no pescoço, fez sinal para eu entrar. E eu entrei.
Estava tendo uma cerimônia.Com a presença de vários canais de televisão.
Pouca gente e muito padre. Uma multidão no coral.
Não sei como chamar os sacerdotes Ortodoxos, mas percebia-se muitos níveis. Uns com coroas, outros com mantos, outros com panos na cabeça, sei lá, tinham mais de trinta celebrantes. 
Gente, seu sei que não podia, tentei me segurar, mas o cara me convidou para entrar justamente por causa da máquina. Estava tão cheio de gente filmando e tirando fotos que, mesmo com vergonha, fiz o que fui convidado a fazer.
Assim posso compartilhar um pouco do interior da Catedral:




Imaginem, sair dali e ir caminhar com essa sensação. Eu não entendi nenhuma palavra, eu não sei qual era o rito. Não importa, a energia da fé e dos cantos são muito fortes.
Nada melhor do que caminhar por um dos grandes e bonitos parques da cidade.
Recebo de presente
Caminhando por outros lados fui descobrindo muito mais
Uma Sinagoga (fechada)
Uma Mesquita (aberta, mas eu não estava muito afim de tirar a bota a -10 e ficar andando descalço na área externa).
Achei O Mercado
E no final do dia, mais uma vez, depois de longa caminhada e fortes impressões
voltei devagar, olhando o por do sol e a cidade.
Gostei muito daqui. É certo que sou um gostador. 
Eu sempre acho algo para gostar, da estética, do cheiro, da comida, do povo, da cultura, da história, do diferentes, do surpreendente. Sempre tem algo que nos ajude a gostar. Pois aqui eu gostei de tudo.
Fazendo a retrospectiva dos anos novos
2008 – Puerto Vallarta – México
2009 – Jalapão – Tocantins
2010 – Sevilha - Espanha
2011 – Vientiane – Laos
2012 – Beijing - China
2013 – Punaka – Butão
2014 -  Serengueti – Tanzânia
2015 – Sopja – Macedônia
2016 -  Sofia – Bulgária